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Ciência

Acorda no meio da noite? O que os especialistas em sono recomendam para recuperar o descanso

Despertar de madrugada é mais comum do que parece e, na maioria das vezes, não significa um problema grave. Pesquisadores de Harvard e Stanford explicam por que isso acontece, quais são os fatores que podem estar por trás desses episódios e o que realmente funciona para voltar a dormir sem ansiedade.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Antes, acordar no meio da noite era visto como sinal de insônia ou até de problemas de saúde sérios. Hoje, a ciência mostra que despertares noturnos fazem parte do ciclo natural do sono humano e, na maioria dos casos, não deveriam gerar preocupação. A questão é aprender a lidar com eles para evitar que se transformem em noites longas de vigília e frustração.

Despertares fazem parte do sono normal

A doutora Rebecca Robbins, da Faculdade de Medicina de Harvard, explica que os chamados “microdespertares” acontecem naturalmente várias vezes por noite, ainda que quase sempre passem despercebidos. O problema aparece quando eles são frequentes ou prolongados, comprometendo a qualidade do descanso e a disposição no dia seguinte.

Segundo dados citados pela revista Women’s Health, cerca de 31% dos adultos se despertam algumas vezes por semana, e 8% relatam dificuldade em voltar a dormir.

O que pode estar por trás dos desvelos

A doutora Shannon Sullivan, do Centro Médico do Sono de Stanford, aponta algumas causas frequentes: estresse, necessidade de ir ao banheiro, consumo de álcool, uso de certos medicamentos ou distúrbios como a apneia do sono.

O ambiente também influencia diretamente: ruídos, excesso de luz ou uma temperatura inadequada podem interromper o repouso. No entanto, Sullivan alerta que muitas vezes “o que te acorda não é o que te mantém acordado”. A ansiedade e a preocupação em não conseguir voltar a dormir acabam prolongando o estado de vigília.

Estratégias para voltar a dormir

Quando o despertar noturno acontece, os especialistas recomendam algumas atitudes práticas:

  • Evitar olhar o relógio, já que saber a hora aumenta a ansiedade.

  • Não usar celulares ou tablets, cuja luz azul atrapalha o ritmo circadiano.

  • Ajustar o ambiente — temperatura, silêncio e conforto — para favorecer o relaxamento.

Se, mesmo assim, o sono não voltar em pouco tempo, a neurologista Milena Pavlova, do Massachusetts General Brigham, orienta levantar-se da cama. Ficar acordado nela reforça a associação mental entre cama e insônia.

A sugestão é realizar atividades calmas e pouco estimulantes, como ler, praticar respiração profunda, alongamentos suaves ou até dobrar roupas. Esses gestos ajudam a reduzir a tensão e preparar o corpo para adormecer novamente.

Quando a sonolência retornar, deve-se voltar para a cama. Caso não funcione, o ciclo pode ser repetido sem dramatizar. Robbins lembra que pensar “não é nada demais, logo vou dormir” tira a pressão e facilita o descanso.

Acorda No Meio Da Noite1
© Pexels

O valor da rotina

Se os despertares se tornam recorrentes, é importante revisar os hábitos de sono. Algumas recomendações fundamentais incluem:

  • Manter horários regulares para deitar e acordar.

  • Evitar telas antes de dormir.

  • Garantir que o quarto seja escuro, fresco, silencioso e confortável.

Essas medidas não eliminam totalmente os despertares ocasionais, mas fortalecem a estabilidade do sono a longo prazo. Se o problema persistir por semanas, a melhor opção é procurar um especialista para investigar causas médicas.

Os especialistas reforçam que períodos de sono irregular fazem parte da experiência humana e não devem ser motivo de pânico. Ajustar os hábitos, manter a flexibilidade e reduzir a ansiedade diante de episódios ocasionais de insônia são passos essenciais para recuperar noites de descanso mais tranquilas.

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