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Acordo Mercosul–UE: estudo aponta que o Brasil será o maior beneficiado, com alta de 0,46% no PIB

Um novo relatório oficial estima que o tratado com a União Europeia pode adicionar mais de US$ 9 bilhões à economia brasileira até 2040. O impacto positivo deve se espalhar por investimentos, comércio exterior e geração de empregos, colocando o Brasil à frente dos demais parceiros do Mercosul.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Enquanto Mercosul e União Europeia ajustam os últimos detalhes de um dos acordos comerciais mais ambiciosos já negociados pelos dois blocos, um estudo recém-divulgado ajuda a dimensionar seus efeitos econômicos. As projeções indicam que o Brasil será o principal beneficiado do tratado, com ganhos superiores aos de seus vizinhos sul-americanos e até mesmo aos da própria UE.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao governo brasileiro, a implementação do acordo deve elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 0,46% no longo prazo. Em valores absolutos, isso representa um acréscimo de aproximadamente US$ 9,3 bilhões à economia brasileira até 2040, de acordo com dados divulgados pela agência EFE.

Um impulso além do crescimento do PIB

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O relatório do Ipea vai além da estimativa de crescimento econômico agregado. Os pesquisadores analisaram como a abertura comercial prevista no acordo pode gerar efeitos em cadeia sobre variáveis estratégicas da economia brasileira.

Um dos destaques é o impacto sobre os investimentos. A projeção aponta um aumento de 1,49% na formação bruta de capital fixo, indicador que mede quanto o país investe em máquinas, equipamentos, infraestrutura e modernização produtiva. Esse avanço estaria ligado, principalmente, à maior previsibilidade regulatória e à atração de empresas europeias interessadas em produzir ou ampliar operações no Brasil.

Outro ponto relevante é o comércio exterior. Com a eliminação de tarifas para 91% dos produtos exportados pelo Mercosul, o saldo da balança comercial brasileira deve melhorar em mais de US$ 300 milhões, impulsionado tanto pela agroindústria quanto por segmentos industriais com maior valor agregado.

Abertura gradual e setores estratégicos

Os benefícios do acordo não devem ser imediatos. O texto negociado com Bruxelas prevê um cronograma de redução tarifária escalonado, com prazos de 4, 8, 10 e até 15 anos, dependendo do grau de sensibilidade de cada setor produtivo.

Produtos considerados estratégicos para o Brasil terão vantagens relevantes. O café, por exemplo, hoje enfrenta uma tarifa de cerca de 9% para entrar no mercado europeu. Pelo acordo, essa cobrança será eliminada em até quatro anos. Outros itens agrícolas, como limões, terão acesso totalmente livre em cerca de sete anos, o que pode aumentar a competitividade brasileira frente a fornecedores de outras regiões do mundo.

A lógica do cronograma é permitir que setores mais vulneráveis se adaptem à concorrência europeia, enquanto áreas mais competitivas colhem ganhos mais rápidos com a abertura dos mercados.

Brasil lidera ganhos dentro do acordo

Um dos dados mais significativos do estudo aparece na comparação entre os diferentes participantes do tratado. De acordo com as estimativas do Ipea, o Brasil concentra a maior parte dos benefícios econômicos:

  • Brasil: +0,46% do PIB

  • Demais países do Mercosul: +0,20%

  • União Europeia: +0,06%

Esses números reforçam o peso relativo da economia brasileira dentro do bloco sul-americano e sua capacidade de aproveitar economias de escala, diversidade produtiva e maior inserção internacional.

Efeito direto sobre o emprego

Além dos indicadores macroeconômicos, o acordo também pode ter reflexos concretos no mercado de trabalho. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que, para cada R$ 1 bilhão adicional exportado pelo Brasil para a União Europeia sob o novo regime comercial, cerca de 21.800 empregos poderão ser gerados.

Esse impacto é especialmente relevante para a indústria de transformação, que tende a se beneficiar da redução de barreiras tarifárias e do acesso ampliado a um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Um acordo com efeitos de longo prazo

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Apesar das projeções otimistas, especialistas lembram que os resultados dependerão da implementação efetiva do tratado e da capacidade do Brasil de aproveitar as oportunidades abertas. Investimentos em infraestrutura, logística, inovação e qualificação da mão de obra serão decisivos para transformar ganhos potenciais em crescimento sustentado.

Ainda assim, o estudo do Ipea reforça a avaliação de que o acordo Mercosul–União Europeia pode se tornar um dos principais vetores de dinamização econômica para o Brasil nas próximas décadas, consolidando o país como o grande vencedor dentro do bloco sul-americano.

 

[ Fonte: Río Negro ]

 

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