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Ciência

Afinal, a que idade finaliza a adolescência? Novo estudo confirma

Se você achava que a adolescência acabava ali pelos 18 ou 20 anos, prepare-se para uma surpresa científica.
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Tempo de leitura: 3 minutos

As cinco grandes “eras” do cérebro humano

O estudo, publicado na revista Nature Communications, analisou o cérebro de 3.802 pessoas, desde crianças até idosos de 90 anos. Para isso, os cientistas usaram ressonâncias magnéticas avançadas, capazes de rastrear as conexões neurais observando o movimento de moléculas de água dentro do tecido cerebral.

A partir desses dados, eles identificaram cinco grandes fases na vida do cérebro humano:

  • Infância: do nascimento até os 9 anos
  • Adolescência: dos 9 até cerca de 32 anos
  • Fase adulta estável: dos 32 até aproximadamente 66 anos
  • Envelhecimento precoce: a partir dos 66
  • Envelhecimento tardio: em torno dos 83 anos

É por isso que o fim da adolescência aparece tão tarde: a estrutura do cérebro continua em transformação por muito mais tempo do que se imaginava.

Por que o fim da adolescência acontece tão tarde

Afinal, a que idade finaliza a adolescência? Novo estudo confirma
© Pexels

Durante a infância, o cérebro cria uma quantidade enorme de sinapses — as ligações entre neurônios. Com o tempo, ele começa um processo de “poda”, eliminando conexões fracas e reforçando as que são mais usadas. Esse processo continua fortemente durante a adolescência.

Segundo os pesquisadores, é justamente nessa fase que a eficiência das conexões neurais aumenta. O cérebro começa a construir “atalhos” entre áreas diferentes, tornando o pensamento mais rápido, complexo e eficiente.

A cientista Alexa Mousley, coautora do estudo, explica que essa fase é a única em que a eficiência neural realmente cresce em alta velocidade. E esse crescimento vai até o ponto de virada mais intenso da vida: os 32 anos, que marcam o verdadeiro fim da adolescência do ponto de vista biológico.

O ponto de virada mais forte da vida acontece aos 32

Esse momento, segundo os pesquisadores, é o maior “reset” estrutural do cérebro humano. A forma como as conexões neurais se organizam muda de direção, e o cérebro entra no que os cientistas chamam de fase adulta.

Depois disso, ele entra em um longo platô. Por cerca de 30 anos, dos 32 aos 66, a arquitetura cerebral fica relativamente estável. Isso explicaria por que, nessa fase, a inteligência, a personalidade e o comportamento tendem a se manter mais constantes.

Em termos simples: o cérebro “assenta” seus padrões.

O que muda depois dos 60 anos

Aos 66 anos, outro ponto de inflexão aparece. Essa fase é chamada de envelhecimento precoce. Não se trata de uma mudança brusca, mas de alterações sutis nas conexões neurais.

É nessa fase que o risco de problemas como hipertensão, alterações cognitivas e outras condições que afetam o cérebro humano começa a aumentar.

Já por volta dos 83 anos ocorre o último grande ponto de virada. A conectividade global do cérebro diminui. Em vez de usar redes amplas, o cérebro passa a depender mais de regiões específicas. É uma mudança de funcionamento “global” para um padrão mais “local”.

Como isso ajuda a entender doenças e saúde mental

Para os cientistas, entender essas fases ajuda a explicar por que certos transtornos aparecem em idades específicas.

O neurologista Thiago Taya, do Hospital Sírio-Libanês, explica que na infância o cérebro é extremamente plástico, absorvendo informações sem muita organização. Na adolescência, essa bagunça começa a se estruturar — o que explica tanto o amadurecimento quanto a maior vulnerabilidade emocional.

Segundo ele, a vida adulta traz mais estabilidade emocional e cognitiva. Já na terceira idade, a tendência é de rigidez cognitiva e comportamental, reflexo direto do envelhecimento das conexões neurais do cérebro humano.

O pesquisador Duncan Astle, de Cambridge, comparou essas fases a “estações do ano”. Segundo ele, o cérebro não evolui de forma linear, mas em ciclos bem definidos — e o fim da adolescência é apenas uma dessas viradas.

O que isso muda no futuro da ciência

O estudo abre portas para novas pesquisas. Cientistas agora poderão comparar cérebros de pessoas com e sem transtornos mentais ao longo dessas fases. A ideia é descobrir se é possível prever problemas antes que eles apareçam.

Também será possível investigar por que algumas pessoas desenvolvem demência após os 66 anos e outras não. Tudo gira em torno das conexões neurais e de como o cérebro humano se reorganiza ao longo do tempo.

O alerta que fica

Saber que o fim da adolescência acontece só aos 32 anos muda a forma como enxergamos maturidade, aprendizado e até responsabilidade emocional. O cérebro continua se moldando por muito mais tempo do que imaginávamos. A ciência agora tenta entender como usar esse conhecimento para prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida. E você, se sente “adulto” do ponto de vista do seu cérebro?

[Fonte: Correio Braziliense]

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