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Agora você pode dar opiniões polêmicas com confiança graças ao ‘seguro contra cultura do cancelamento’

Uma seguradora está oferecendo a celebridades uma apólice que inclui uma linha direta 24 horas e serviços de gerenciamento de crises.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Em 2025, as seguradoras estão mudando de foco: sai a cobertura para desastres naturais, entra o seguro para celebridades e executivos que enfrentam linchamentos virtuais por postagens polêmicas. A agência de seguros Samphire Risk, apoiada pela Lloyd’s of London, está criando um seguro contra a “cultura do cancelamento” para aqueles que temem ser alvo da “turba progressista”, segundo o Financial Times.

Então, digamos que você seja cancelado. Talvez você poste algo como: “Por que não dizem aos pais homo e trans para ensinarem melhores valores morais aos seus filhos?” ou faça um comentário dizendo que uma mulher negra é como “se a Irmandade Muçulmana e Planeta dos Macacos tivessem um bebê.” O que a Samphire Risk pode fazer por você?

Com a apólice de seguro contra cancelamento da empresa, chamada Preempt, você — o cancelado — receberá serviços de gerenciamento de crises projetados para minimizar os danos causados pela reação nas redes sociais. A apólice cobre 60 dias de assessoria de comunicação para tentar reverter a cobertura negativa, tanto nas redes quanto na mídia tradicional. Além disso, você terá acesso a uma linha direta 24 horas, caso decida tuitar algo às 3 da manhã sob efeito de um remédio para dormir e precise de alguém para intervir antes que o mercado abra.

O pacote também inclui uma equipe de pesquisadores e analistas para identificar potenciais crises de reputação e ajudá-lo a antecipar problemas.

O lançamento desse produto chega em um momento curioso. Afinal, estamos de volta à era Trump, e agora com as grandes redes sociais abraçando o caos. Elon Musk transformou o Twitter em um megafone da extrema direita, e a Meta flexibilizou suas regras de moderação no Facebook e no Instagram, permitindo que figuras polêmicas ataquem grupos marginalizados sem consequências. O ambiente voltou a ser o Velho Oeste digital, onde até insultos grosseiros passam despercebidos.

Ainda assim, é provável que os mais ricos e cautelosos adquiram esse seguro para se proteger — mesmo que a “cultura do cancelamento” seja, basicamente, uma farsa, especialmente para pessoas ricas e poderosas. É raro ver alguém com poder perder tudo por ser “cancelado”. Podem perder um contrato, um programa ou algum dinheiro — o que geralmente chamamos de consequências por suas ações. Mas, na maioria das vezes, essas pessoas apenas saem brevemente dos holofotes e depois voltam, muitas vezes mais celebradas do que antes.

Exemplos não faltam: Mel Gibson, famoso por ser “cancelado” devido a comentários antissemitas e racistas, lançou recentemente um novo filme, que liderou as bilheterias no fim de semana. Agora, está em turnê de divulgação chamando Donald Trump de “papai”.

Enquanto isso, uma meteorologista de Milwaukee foi demitida por comentar em seu Instagram que Elon Musk fez saudações nazistas. É seguro dizer que ela não é o público-alvo que a seguradora busca proteger.

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