A disputa pelo futuro dos óculos inteligentes acaba de ganhar um novo competidor de peso. Relatos do site The Information revelam que a Amazon está trabalhando em dois projetos paralelos: um voltado para uso interno em entregas e armazéns, e outro para o mercado de consumo, mirando diretamente os Ray-Ban da Meta e os futuros Hypernova.
Amelia: óculos para entregadores e centros de distribuição
Um dos modelos em desenvolvimento, com o codinome “Amelia”, seria destinado a trabalhadores da própria Amazon. A proposta é integrar um display em lente, capaz de projetar informações sobre pacotes e rotas de entrega.
Segundo o relatório, esses óculos poderiam usar visão computacional para identificar objetos e exibir dados em tempo real — algo que facilitaria desde a separação de mercadorias em depósitos até a navegação em trajetos de entrega.
Apesar das possíveis vantagens logísticas, críticos apontam que os óculos podem gerar mais dados para a Amazon do que benefícios para os trabalhadores, que já enfrentam condições de trabalho amplamente criticadas.
Jayhawk: o modelo para consumidores finais
O segundo projeto, de codinome “Jayhawk”, é o que realmente coloca a Amazon no embate contra a Meta. Esse modelo incluiria:
- Microfones e alto-falantes embutidos
- Câmeras integradas
- Display monocular em cores (apenas em um olho)
- Provável integração com a assistente Alexa
As semelhanças com os óculos Hypernova da Meta são evidentes. O grande desafio será criar uma experiência de uso intuitiva, sem depender de comandos de voz estranhos em público — um problema que ainda limita a adoção dos óculos inteligentes atuais.
Um retorno ao jogo dos óculos inteligentes
Embora pareça um passo novo, a Amazon já flerta com esse mercado desde 2020, quando lançou os Echo Frames. Esses óculos, sem câmera ou display, tinham Alexa integrada, mas nunca chegaram a competir de igual para igual com os Ray-Ban Meta.
Agora, com o Jayhawk, a Amazon mostra que está pronta para dar o próximo passo. Se será suficiente para rivalizar com a Meta ainda é incerto, mas a gigante do e-commerce tem um trunfo: uma base massiva de clientes e a capacidade de integrar o produto ao seu ecossistema de serviços.
Entre inovação e vigilância
A grande questão é como a Amazon vai equilibrar inovação e privacidade. Enquanto os óculos de consumo podem conquistar usuários curiosos pela promessa de praticidade, os modelos corporativos levantam preocupações de vigilância excessiva em depósitos e rotas de entrega.
No fim, o sucesso desses dispositivos dependerá de algo que nenhuma empresa conseguiu dominar totalmente até agora: convencer o público de que os óculos inteligentes são mais do que um acessório curioso, mas uma ferramenta indispensável no dia a dia.