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Tecnologia

O Wi-Fi começou a encontrar seus limites: pesquisadores criam sistema sem fio com luz capaz de atingir 362 Gbps e consumir menos energia

Videoconferências em 4K, streaming simultâneo, casas inteligentes e dezenas de dispositivos conectados pressionam as redes atuais. Agora, cientistas do Reino Unido desenvolveram uma tecnologia que usa luz no lugar de ondas de rádio para transmitir dados em velocidades impressionantes — e ela pode mudar a forma como a internet funciona dentro de escritórios, casas e espaços públicos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A quantidade de aparelhos conectados à internet cresce em um ritmo que o Wi-Fi tradicional começa a sentir dificuldade para acompanhar. Smartphones, TVs, notebooks, assistentes virtuais, consoles e sistemas inteligentes disputam espaço em redes que já convivem com interferências, congestionamentos e alto consumo energético. Nesse cenário, um grupo de pesquisadores britânicos apresentou uma solução que parece saída de um laboratório futurista: uma conexão sem fio baseada em luz capaz de alcançar até 362,7 gigabits por segundo.

O estudo, publicado na revista científica Advanced Photonics Nexus, coloca a nova tecnologia entre as formas mais rápidas de comunicação sem fio já demonstradas em ambientes internos. E embora ela não tenha sido criada para substituir completamente o Wi-Fi atual, os resultados indicam que a internet doméstica pode passar por uma transformação importante nos próximos anos.

Como funciona a internet transmitida por luz

Internet Seguranca
© https://todofibraoptica.com/

Diferentemente do Wi-Fi convencional, que utiliza ondas de rádio para enviar dados, o novo sistema aposta em comunicação óptica sem fio. Na prática, isso significa transmitir informações usando feixes de luz extremamente rápidos e precisos.

O coração da tecnologia é um chip compacto equipado com pequenos lasers conhecidos como VCSELs — sigla para Vertical Cavity Surface Emitting Laser. Esses componentes já são usados em data centers e sistemas avançados de comunicação, mas agora foram adaptados para criar uma rede sem fio ultrarrápida.

Nos experimentos realizados pelos pesquisadores, foi utilizada uma matriz de lasers organizada em um formato 5×5. Embora o sistema possuísse 25 emissores, apenas 21 foram ativados simultaneamente durante os testes. Cada laser conseguiu transmitir entre 13 e 19 Gbps, permitindo atingir a velocidade combinada de 362,7 Gbps em uma distância de aproximadamente dois metros.

Para efeito de comparação, conexões Wi-Fi domésticas modernas normalmente operam em velocidades muito inferiores, especialmente quando vários dispositivos estão conectados ao mesmo tempo.

O problema que o novo sistema tenta resolver

O avanço do streaming em alta definição, das chamadas de vídeo e da computação em nuvem fez disparar a demanda por largura de banda. Em ambientes cheios de aparelhos conectados — como escritórios, aeroportos, shopping centers ou apartamentos inteligentes — as redes Wi-Fi podem sofrer instabilidades e perda de desempenho.

Além disso, existe um problema cada vez mais relevante: o consumo de energia. Data centers e sistemas de conectividade já representam uma parcela significativa do gasto elétrico global, e especialistas procuram alternativas mais eficientes há anos.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o novo sistema óptico consome cerca de 1,4 nanojoule por bit transmitido. Isso representa aproximadamente metade do consumo energético de tecnologias Wi-Fi comparáveis atualmente.

Essa redução pode parecer pequena à primeira vista, mas ganha enorme importância quando aplicada em larga escala, especialmente em locais com milhares de conexões simultâneas.

Menos interferência e mais estabilidade

Um dos grandes desafios da comunicação baseada em luz é evitar que os diferentes feixes interfiram entre si. Para resolver esse problema, os pesquisadores criaram um sistema óptico que direciona cada sinal para áreas específicas usando microlentes e uma distribuição organizada em grade.

O resultado foi uma uniformidade de iluminação superior a 90%, além da capacidade de manter múltiplas conexões funcionando ao mesmo tempo dentro do mesmo ambiente.

Na prática, isso significa que diferentes dispositivos poderiam receber sinais independentes sem competir entre si da mesma forma que acontece em redes Wi-Fi congestionadas.

O Wi-Fi vai desaparecer?

Wifi
© Pexels – Cottonbro Studio

Apesar do impacto do estudo, os próprios cientistas deixam claro que a ideia não é eliminar completamente o Wi-Fi tradicional. Pelo menos por enquanto, a proposta é criar uma tecnologia complementar.

A expectativa é que sistemas ópticos como esse sejam usados para aliviar o tráfego das redes convencionais em locais com grande demanda de dados. Escritórios, universidades, hospitais, aeroportos e até casas inteligentes poderiam combinar rádio e luz para distribuir melhor as conexões.

Ainda existem desafios antes de uma adoção comercial ampla, principalmente relacionados à distância, obstáculos físicos e adaptação da infraestrutura. Mesmo assim, o estudo reforça uma tendência que vem ganhando força nos últimos anos: a de que a próxima grande revolução da internet sem fio talvez não venha de antenas mais potentes, mas da própria luz.

 

[ Fonte: El Cronista ]

 

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