Depois de dias históricos orbitando além da Terra, a missão Artemis II entra em sua fase mais crítica: o retorno. A cápsula Orion se aproxima do planeta a velocidades impressionantes e precisa executar uma sequência milimétrica de manobras para garantir a sobrevivência dos astronautas. É o momento em que engenharia, física e precisão absoluta se encontram — e onde qualquer erro pode ter consequências fatais.
Fase 1: separação do módulo de serviço
Cerca de 20 minutos antes de atingir a atmosfera, a cápsula tripulada se separa do módulo de serviço, responsável por fornecer energia e propulsão durante a missão.
Esse módulo, desenvolvido pela Agência Espacial Europeia, será descartado e queimará na reentrada. A partir desse ponto, a cápsula Orion segue sozinha, expondo seu escudo térmico — peça fundamental para suportar o calor extremo.
Essa etapa é crítica: qualquer falha na separação pode comprometer o posicionamento da cápsula e afetar toda a reentrada.
Fase 2: entrada na atmosfera — precisão absoluta
A Orion atinge a atmosfera terrestre a cerca de 38.000 km/h. Mas não é apenas a velocidade que importa — o ângulo de entrada precisa ser quase perfeito.
Existe uma margem inferior a um grau. Se o ângulo for muito raso, a cápsula pode “quicar” na atmosfera e voltar ao espaço. Se for muito inclinado, o calor pode ser intenso demais, levando à destruição da nave.
Segundo a equipe da NASA, acertar esse ponto exato é essencial para que a nave desacelere com segurança.
Fase 3: o inferno de plasma e o silêncio total
Ao entrar na atmosfera em altíssima velocidade, o ar à frente da cápsula é comprimido violentamente, gerando temperaturas de até 1.650 °C.
Nesse momento, a cápsula fica envolta em plasma — um gás ionizado que bloqueia as comunicações. Durante cerca de seis minutos, a tripulação ficará completamente isolada da Terra.
O escudo térmico é o único elemento entre os astronautas e temperaturas letais. Após problemas observados na missão Artemis I, engenheiros passaram anos ajustando o sistema para garantir sua resistência.
Fase 4: abertura dos paraquedas e pouso no oceano
Superado o blackout, a cápsula inicia a fase final. A cerca de 6.700 metros de altitude, pequenos paraquedas são abertos para estabilizar a descida.
Logo depois, três paraquedas principais entram em ação, reduzindo drasticamente a velocidade até cerca de 27 km/h — o suficiente para um pouso controlado no oceano, próximo à costa da Califórnia.
O sistema foi projetado com redundância: a cápsula pode pousar com segurança mesmo se um dos paraquedas falhar. Mas a perda de mais de um pode tornar o impacto perigoso.
Um final tenso para uma missão histórica
A bordo estão astronautas como Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, que participaram de uma das missões mais ambiciosas da nova era espacial.
Após o pouso, equipes de resgate irão recuperar a cápsula e transportar a tripulação para avaliações médicas, encerrando oficialmente a missão.
Mas, antes disso, tudo depende desses minutos finais — uma coreografia extremamente precisa entre velocidade, calor e gravidade. É o tipo de momento em que a exploração espacial mostra seu lado mais impressionante… e também mais arriscado.