A humanidade está prestes a repetir um feito histórico. Em 2026, a missão Artemis II levará quatro astronautas para orbitar a Lua, algo que não acontece desde o fim do programa Apollo, nos anos 1970. A bordo da nave Orion, eles percorrerão cerca de 1,1 milhão de quilômetros em uma jornada de aproximadamente dez dias — vivendo em um espaço compacto, isolado e totalmente dependente da tecnologia.
A primeira tripulação da era Artemis

A missão contará com Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Será a primeira vez que astronautas voarão na Orion em direção ao espaço profundo.
Diferentemente das missões à Estação Espacial Internacional, Artemis II tem um objetivo central: testar todos os sistemas da nave em condições reais, com tripulação a bordo. Isso inclui suporte à vida, comunicação, navegação e segurança. A experiência desses quatro astronautas será fundamental para ajustar futuras missões que devem, de fato, pousar na superfície lunar.
Mais espaço que a Apollo — mas ainda apertado
A cápsula Orion oferece 9,34 metros cúbicos de volume habitável. Pode parecer pouco — e é — mas representa quase 60% mais espaço que o módulo de comando das naves Apollo, que tinha apenas 5,95 metros cúbicos.
Na prática, o espaço interno equivale aproximadamente ao interior de duas minivans. Após o lançamento pelo foguete Space Launch System (SLS), os apoios de pés de dois assentos serão recolhidos para liberar área de circulação. Ainda assim, trata-se de um ambiente compacto, onde cada centímetro é aproveitado.
O módulo de serviço da nave é responsável por fornecer água potável, oxigênio e nitrogênio, além de energia e controle térmico. Sem ele, a tripulação não sobreviveria.
Menu fechado e refeições programadas
Os astronautas não terão a variedade de cardápios disponível na Estação Espacial Internacional. Em vez disso, embarcarão com um menu fixo, definido antes do lançamento com base em preferências pessoais e necessidades nutricionais.
A Orion conta com um dispensador de água e um aquecedor para reidratar e aquecer os alimentos. As refeições farão parte do cronograma diário oficial da missão — algo essencial para manter o ritmo físico e psicológico da equipe.
Exercício obrigatório: 30 minutos por dia
No ambiente de microgravidade, músculos e ossos começam a perder massa rapidamente. Para reduzir esses efeitos, cada astronauta fará pelo menos 30 minutos diários de exercício.
Mas, diferentemente da Estação Espacial Internacional — que possui equipamentos que pesam mais de 1.800 quilos — a Orion utiliza um sistema compacto chamado flywheel (volante de inércia). Pesando apenas 13,6 quilos e menor que uma mala de mão, o equipamento funciona com cabos que geram resistência, permitindo exercícios como agachamentos, levantamento de peso e movimentos similares ao remo.
O sistema pode oferecer resistência equivalente a até 180 quilos, apesar do tamanho reduzido — uma solução eficiente para uma nave com restrições severas de massa e volume.
Banheiro com privacidade — algo que a Apollo não tinha
Uma das diferenças mais marcantes em relação às missões Apollo está no banheiro. A Orion possui o Universal Waste Management System (UWMS), semelhante ao usado na Estação Espacial Internacional.
O sistema separa urina e fezes. A urina é descartada no espaço, enquanto os resíduos sólidos são armazenados para eliminação após o retorno à Terra. Há portas para privacidade e kits pessoais de higiene com escova de dentes, pasta, sabonete líquido e shampoo sem enxágue — já que não é possível tomar banho no espaço.
Em caso de falha do sistema principal, a tripulação contará com dispositivos portáteis de contingência, adaptados para homens e mulheres.
Saúde, comunicação e rotina de sono
A nave também leva um kit médico com itens de primeiros socorros e equipamentos como estetoscópio e eletrocardiograma. Os dados podem ser enviados à equipe médica em solo, e os astronautas terão conferências privadas regulares com médicos de voo.
Apesar da agenda intensa, o cronograma inclui oito horas diárias de sono. Os tripulantes dormirão presos às paredes da cápsula, em sacos de dormir fixados.
Para comunicação, usarão microfones, alto-falantes ou fones de ouvido. Tablets e laptops estarão disponíveis para revisar procedimentos e acessar conteúdos previamente carregados.
Um ensaio geral para o retorno definitivo à Lua

Artemis II não pousará na Lua, mas será o passo decisivo para isso acontecer nas próximas missões. Ao validar todos os sistemas da Orion no espaço profundo, a NASA e seus parceiros pretendem abrir caminho para uma presença humana sustentável no entorno e na superfície lunar.
Mais do que uma viagem histórica, a missão simboliza o início da chamada “Geração Artemis” — um novo ciclo de exploração que pode redefinir o papel da humanidade além da órbita terrestre.
[ Fonte: Clarín ]