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Ciência

A vida dentro da cápsula que vai levar humanos de volta à Lua após 50 anos: mais espaço que a Apollo, cardápio fixo, academia compacta e até banheiro com privacidade

Depois de meio século sem astronautas viajando rumo à Lua, a missão Artemis II promete marcar uma nova era da exploração espacial. Mas como será viver por dez dias em uma cápsula no espaço profundo? Da comida ao exercício físico, cada detalhe foi planejado para testar o futuro da presença humana além da órbita terrestre.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A humanidade está prestes a repetir um feito histórico. Em 2026, a missão Artemis II levará quatro astronautas para orbitar a Lua, algo que não acontece desde o fim do programa Apollo, nos anos 1970. A bordo da nave Orion, eles percorrerão cerca de 1,1 milhão de quilômetros em uma jornada de aproximadamente dez dias — vivendo em um espaço compacto, isolado e totalmente dependente da tecnologia.

A primeira tripulação da era Artemis

Astronautas Artemis Ii
© US-SPACE-NASA-ARTEMIS II-AEROSPACE

A missão contará com Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Será a primeira vez que astronautas voarão na Orion em direção ao espaço profundo.

Diferentemente das missões à Estação Espacial Internacional, Artemis II tem um objetivo central: testar todos os sistemas da nave em condições reais, com tripulação a bordo. Isso inclui suporte à vida, comunicação, navegação e segurança. A experiência desses quatro astronautas será fundamental para ajustar futuras missões que devem, de fato, pousar na superfície lunar.

Mais espaço que a Apollo — mas ainda apertado

A cápsula Orion oferece 9,34 metros cúbicos de volume habitável. Pode parecer pouco — e é — mas representa quase 60% mais espaço que o módulo de comando das naves Apollo, que tinha apenas 5,95 metros cúbicos.

Na prática, o espaço interno equivale aproximadamente ao interior de duas minivans. Após o lançamento pelo foguete Space Launch System (SLS), os apoios de pés de dois assentos serão recolhidos para liberar área de circulação. Ainda assim, trata-se de um ambiente compacto, onde cada centímetro é aproveitado.

O módulo de serviço da nave é responsável por fornecer água potável, oxigênio e nitrogênio, além de energia e controle térmico. Sem ele, a tripulação não sobreviveria.

Menu fechado e refeições programadas

Os astronautas não terão a variedade de cardápios disponível na Estação Espacial Internacional. Em vez disso, embarcarão com um menu fixo, definido antes do lançamento com base em preferências pessoais e necessidades nutricionais.

A Orion conta com um dispensador de água e um aquecedor para reidratar e aquecer os alimentos. As refeições farão parte do cronograma diário oficial da missão — algo essencial para manter o ritmo físico e psicológico da equipe.

Exercício obrigatório: 30 minutos por dia

No ambiente de microgravidade, músculos e ossos começam a perder massa rapidamente. Para reduzir esses efeitos, cada astronauta fará pelo menos 30 minutos diários de exercício.

Mas, diferentemente da Estação Espacial Internacional — que possui equipamentos que pesam mais de 1.800 quilos — a Orion utiliza um sistema compacto chamado flywheel (volante de inércia). Pesando apenas 13,6 quilos e menor que uma mala de mão, o equipamento funciona com cabos que geram resistência, permitindo exercícios como agachamentos, levantamento de peso e movimentos similares ao remo.

O sistema pode oferecer resistência equivalente a até 180 quilos, apesar do tamanho reduzido — uma solução eficiente para uma nave com restrições severas de massa e volume.

Banheiro com privacidade — algo que a Apollo não tinha

Uma das diferenças mais marcantes em relação às missões Apollo está no banheiro. A Orion possui o Universal Waste Management System (UWMS), semelhante ao usado na Estação Espacial Internacional.

O sistema separa urina e fezes. A urina é descartada no espaço, enquanto os resíduos sólidos são armazenados para eliminação após o retorno à Terra. Há portas para privacidade e kits pessoais de higiene com escova de dentes, pasta, sabonete líquido e shampoo sem enxágue — já que não é possível tomar banho no espaço.

Em caso de falha do sistema principal, a tripulação contará com dispositivos portáteis de contingência, adaptados para homens e mulheres.

Saúde, comunicação e rotina de sono

A nave também leva um kit médico com itens de primeiros socorros e equipamentos como estetoscópio e eletrocardiograma. Os dados podem ser enviados à equipe médica em solo, e os astronautas terão conferências privadas regulares com médicos de voo.

Apesar da agenda intensa, o cronograma inclui oito horas diárias de sono. Os tripulantes dormirão presos às paredes da cápsula, em sacos de dormir fixados.

Para comunicação, usarão microfones, alto-falantes ou fones de ouvido. Tablets e laptops estarão disponíveis para revisar procedimentos e acessar conteúdos previamente carregados.

Um ensaio geral para o retorno definitivo à Lua

Artemis Ii Lua Nasaa
© NASA

Artemis II não pousará na Lua, mas será o passo decisivo para isso acontecer nas próximas missões. Ao validar todos os sistemas da Orion no espaço profundo, a NASA e seus parceiros pretendem abrir caminho para uma presença humana sustentável no entorno e na superfície lunar.

Mais do que uma viagem histórica, a missão simboliza o início da chamada “Geração Artemis” — um novo ciclo de exploração que pode redefinir o papel da humanidade além da órbita terrestre.

 

[ Fonte: Clarín ]

 

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