A qualidade de vida nas cidades brasileiras acaba de ser reavaliada por um levantamento que considera dezenas de fatores, do acesso à saúde e educação até oportunidades de crescimento e segurança. Os dados mais recentes do Índice de Progresso Social (IPS), elaborados pelo instituto Imazon, mostram onde estão os melhores e piores lugares para viver no Brasil — e revelam um abismo entre o Norte e o Sul do país.
Como o ranking foi construído?
O Índice de Progresso Social (IPS) avalia o bem-estar da população brasileira com base em 57 indicadores, organizados em três grandes categorias:
Necessidades Humanas Básicas: avalia acesso à alimentação, saúde, moradia e segurança pública;
Fundamentos do Bem-Estar: analisa elementos como educação básica, qualidade ambiental e saúde;
Oportunidades: considera acesso ao ensino superior, liberdades individuais e inclusão social.
O estudo analisou todos os 5.570 municípios brasileiros, cruzando dados de diversas fontes para compor um retrato fiel das condições de vida no país. Em relação a 2024, houve um pequeno avanço na média nacional, mas o estudo escancara desigualdades regionais persistentes.
Onde se vive melhor no Brasil?

Entre as 20 cidades mais bem colocadas no ranking, 18 estão nas regiões Sul e Sudeste. Os estados que se destacam positivamente incluem São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.
Esses municípios apresentam bons indicadores em todas as frentes: têm mais acesso à saúde, melhor infraestrutura, bons índices de escolaridade, oportunidades de crescimento e níveis mais altos de segurança.
As cidades mais bem avaliadas costumam ter políticas públicas mais consistentes, maior renda per capita e melhor capacidade de atendimento social, o que favorece uma experiência urbana mais equilibrada.
Onde estão os piores índices de qualidade de vida?
Um relatório mostra como as mais de 5,5 mil cidades brasileiras estão evoluindo. O Índice de Progresso Social é um estudo que avalia a qualidade de vida da nossa população. O objetivo é entender se as pessoas têm o necessário para prosperar a partir de questões sociais,… pic.twitter.com/P6i22fC9s0
— GloboNews (@GloboNews) May 30, 2025
Na outra ponta do ranking, a situação é bem mais preocupante. Todas as 20 cidades com pior qualidade de vida estão localizadas nas regiões Norte e Nordeste, sendo que 19 ficam na região amazônica.
O estado do Pará lidera a lista negativa, com 12 dos 20 piores municípios em termos de qualidade de vida. Esses locais enfrentam dificuldades como falta de acesso a serviços básicos, baixos índices educacionais, insegurança e escassez de oportunidades de desenvolvimento.
A ironia é que o Pará será sede da COP30, conferência mundial do Clima, e ao mesmo tempo enfrenta desafios enormes para garantir dignidade a sua população.
As desigualdades que o índice revela
O levantamento deixa claro que, embora o Brasil tenha avançado em algumas áreas, o progresso está longe de ser uniforme. As cidades do Sul e Sudeste seguem liderando em qualidade de vida, enquanto muitos municípios do Norte e Nordeste enfrentam condições precárias e abandono estrutural.
A diferença entre as melhores e as piores cidades não é apenas estatística — é sentida na rotina das pessoas: no tempo de espera para atendimento médico, na qualidade das escolas, na segurança ao sair de casa, na chance de conseguir um emprego digno.
O que o índice pode nos ensinar?
Mais do que um simples ranking, o IPS serve como uma ferramenta para orientar políticas públicas. Identificar os municípios que apresentam bons resultados pode ajudar a replicar práticas bem-sucedidas em outras regiões. Ao mesmo tempo, o foco nos piores índices reforça a urgência de investimentos em infraestrutura, educação, saúde e inclusão social em regiões historicamente negligenciadas.
[ Fonte: G1.Globo ]