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Ciência

Astrônomos descobrem “ponte” de estrelas com um milhão de anos-luz ligando duas galáxias distantes

Estrutura luminosa, detectada no aglomerado Abell 3667 a 700 milhões de anos-luz da Terra, revela interações gravitacionais gigantescas e pode ajudar a mapear a misteriosa matéria escura que domina o universo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Em um recanto longínquo do cosmos, a 700 milhões de anos-luz da Terra, duas galáxias estão presas em um delicado laço gravitacional. Entre elas, estende-se um filamento tênue, formado por estrelas que abandonaram seus lares originais para atravessar o vazio. Esse “caminho” estelar, com um milhão de anos-luz de extensão, é uma das estruturas mais sutis já registradas em um aglomerado galáctico local.

Um achado paciente

O fenômeno foi observado no aglomerado de galáxias Abell 3667, resultado da fusão de dois aglomerados menores há cerca de um bilhão de anos. O registro exigiu 28 horas de observações acumuladas pela Câmara de Energia Escura, no Observatório de Cerro Tololo, no Chile.

Segundo o astrônomo Anthony Englert, da Universidade Brown, líder do estudo publicado no The Astrophysical Journal, “esta é a primeira vez que encontramos uma característica dessa escala em um aglomerado local. Foi uma grande surpresa conseguir fotografar algo tão tênue”.

Luz que revela o invisível

A estrutura é composta por luz intracúmulo (ICL) — o brilho difuso de estrelas arrancadas de suas galáxias por interações gravitacionais extremas. Essas estrelas vagam pelo espaço sob a mesma influência gravitacional que afeta a matéria escura, tornando a ICL um marcador indireto dessa substância invisível, que responde por cerca de 80% da massa do universo.

O coautor Ian Dell’Antonio destaca que “a distribuição dessa luz deve refletir a distribuição da matéria escura, oferecendo um mapa indireto das estruturas invisíveis que controlam o movimento das galáxias”.

Vestígio de um encontro próximo

O estudo indica que o “ponte” liga as duas galáxias mais brilhantes do aglomerado, chamadas BCG1 e BCG2. A hipótese é que a estrutura seja o remanescente de uma passagem próxima entre elas, onde a gravidade de uma arrancou estrelas da outra sem que ocorresse fusão completa.

O brilho superficial da ponte, estimado em μ ≳ 26 mag arcsec–2, a coloca entre as formações mais difíceis de detectar. Combinar dados de diferentes campanhas e aproveitar longas exposições foi essencial para isolar o sinal da luz de fundo.

Galáxias marcantes nas extremidades

Em uma ponta da ponte está a galáxia lenticular IC 4965, acompanhada por um pequeno grupo que se integra ao aglomerado. Na outra, a galáxia JO171 — apelidada de “medusa” por seus longos filamentos de gás — perde material devido à pressão do meio intracúmulo, o que reduz a formação de novas estrelas em partes de seu anel.

Esses elementos fazem de Abell 3667 um laboratório natural para estudar como colisões e fusões moldam a evolução das galáxias.

O que vem por aí com o Observatório Rubin

Vera Rubin
© X – @UAPWatchers

O trabalho antecipa o potencial do Observatório Vera C. Rubin, no Chile, que deve iniciar operações plenas no fim de 2025 ou início de 2026. Seu projeto principal, o Legacy Survey of Space and Time (LSST), mapeará o céu austral com profundidade e cobertura sem precedentes ao longo de 10 anos.

Englert ressalta: “O que fizemos é apenas uma amostra do que o Rubin poderá alcançar. Ele vai revolucionar o estudo da luz intracúmulo”.

Com o LSST, será possível detectar mais pontes estelares e analisar, em detalhe, a composição e a idade dessas estruturas, enriquecendo o entendimento sobre matéria escura e interações galácticas.

Um mapa da história cósmica

Ao seguir as trajetórias das estrelas da ICL, os astrônomos podem reconstruir encontros passados, medir a massa de estruturas invisíveis e compreender como a gravidade molda o destino dos aglomerados. Cada ponte descoberta é, ao mesmo tempo, um elo entre galáxias e uma pista sobre os bastidores invisíveis do universo.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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