Pular para o conteúdo
Ciência

Cientistas analisaram mais de 1.700 idiomas e encontraram padrões que se repetem no mundo todo — a gramática pode ser menos aleatória do que parece

Um estudo internacional revelou que muitas línguas, apesar de suas diferenças, seguem padrões gramaticais semelhantes. Usando a maior base de dados já reunida, pesquisadores descobriram que parte significativa das regras linguísticas se repete globalmente — sugerindo que o idioma humano obedece a princípios mais profundos.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A diversidade linguística do planeta é impressionante. Existem milhares de idiomas, com sons, palavras e estruturas completamente diferentes. Ainda assim, linguistas há décadas suspeitam que, por trás dessa variedade, existam padrões comuns. Agora, um estudo de grande escala reforça essa ideia ao mostrar que muitas regras gramaticais não surgem por acaso — elas seguem tendências que se repetem ao longo da história e entre culturas.

A maior análise já feita sobre gramática

Escrita A Mao
© pexels

A pesquisa foi liderada por Annemarie Verkerk, da Universidade de Saarland, e por Russell D. Gray, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva.

Os cientistas utilizaram a base de dados Grambank, considerada a maior coleção de características gramaticais já compilada. O banco reúne informações de mais de 1.700 idiomas, permitindo comparações em uma escala sem precedentes.

Esse volume de dados possibilitou testar, com maior precisão, a ideia dos chamados “universais linguísticos” — padrões que aparecem repetidamente em línguas diferentes ao redor do mundo.

O que são os “universais linguísticos”

Os universais linguísticos são características que tendem a surgir em muitos idiomas, independentemente da sua origem. Por exemplo, a ordem das palavras em uma frase (como sujeito-verbo-objeto) ou a forma como as relações gramaticais são marcadas.

O estudo mostrou que cerca de um terço desses universais tem forte respaldo estatístico quando analisado com métodos modernos. Ou seja, não são coincidências isoladas, mas padrões consistentes.

Isso sugere que existe uma espécie de “estrutura invisível” guiando a forma como as línguas evoluem.

Um novo método para entender a evolução das línguas

Escritura Antiga
© Gokhan Dogan

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores usaram modelos bayesianos espaço-filogenéticos — uma abordagem avançada que combina história evolutiva e influência geográfica.

Diferente dos métodos tradicionais, que tentavam evitar comparações entre línguas próximas, essa técnica reconhece que idiomas compartilham origens comuns e influenciam uns aos outros ao longo do tempo.

Isso permite enxergar melhor como as línguas mudam, se adaptam e desenvolvem padrões semelhantes, mesmo quando separadas por grandes distâncias.

Línguas não evoluem ao acaso

Um dos pontos mais interessantes do estudo é a ideia de que a evolução linguística não é totalmente aleatória.

Segundo Verkerk, é surpreendente perceber que, apesar da enorme diversidade, as línguas seguem caminhos previsíveis. Diferentes análises realizadas pelos pesquisadores chegaram a resultados muito parecidos, reforçando essa conclusão.

Em outras palavras, há limites e tendências que orientam a forma como a linguagem humana se organiza.

O papel do cérebro e da comunicação

Cerebro Ia
© Getty Images – Unsplash

Para Russell D. Gray, a explicação pode estar nas pressões cognitivas e comunicativas que todos os seres humanos compartilham.

Independentemente do idioma, as pessoas precisam se comunicar de forma eficiente. Isso cria soluções semelhantes em diferentes culturas, como estruturas gramaticais que facilitam a compreensão e a transmissão de informação.

Nosso cérebro também desempenha um papel importante. Certos padrões podem ser mais fáceis de processar, o que favorece sua repetição ao longo do tempo.

O que isso muda na prática

Os resultados ajudam a entender melhor não apenas como as línguas funcionam, mas também como surgiram e evoluíram.

Esse tipo de conhecimento pode influenciar áreas como ensino de idiomas, inteligência artificial e até tradução automática, ao revelar estruturas comuns que podem ser exploradas por sistemas computacionais.

Além disso, reforça a ideia de que, apesar das diferenças culturais, existe uma base compartilhada na forma como os humanos se comunicam.

Uma linguagem mais universal do que imaginávamos

O estudo mostra que a diversidade linguística não significa caos. Pelo contrário: há padrões, tendências e limites que se repetem em todo o mundo.

Ao analisar mais de 1.700 idiomas, os cientistas deram um passo importante para decifrar essas regras invisíveis. E, no processo, revelaram algo fascinante: no fundo, as línguas humanas podem ser muito mais parecidas entre si do que imaginávamos.

 

[ Fonte: Marca ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados