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Ciência

Astrônomos finalmente medem o tamanho da maior galáxia conhecida — e ela ainda está crescendo

IC 1101 tem cerca de 1,7 milhão de anos-luz de diâmetro e uma massa estelar equivalente a 3,4 trilhões de sóis.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Até onde uma galáxia pode crescer? Astrônomos conseguiram responder parte dessa pergunta ao medir com precisão inédita IC 1101, considerada a maior galáxia conhecida no Universo. Localizada a cerca de 1 bilhão de anos-luz da Terra, ela possui um corpo principal com aproximadamente 1,7 milhão de anos-luz de diâmetro. E as novas observações indicam que esse gigante cósmico ainda está crescendo.

IC 1101 é muito maior do que a Via Láctea

A pesquisa foi liderada por cientistas do Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC) e publicada na revista científica Astronomy & Astrophysics.

Segundo o comunicado original do Instituto de Astrofísica de Canarias, IC 1101 está no centro do aglomerado de galáxias Abell 2029 e há décadas é conhecida por suas dimensões extraordinárias. O problema era determinar exatamente onde ela terminava.

As novas medições mostram que seu corpo principal se estende por cerca de 850 mil anos-luz a partir do centro, resultando em um diâmetro aproximado de 1,7 milhão de anos-luz.

Para efeito de comparação, os pesquisadores calculam que ela seja aproximadamente dez vezes maior que a Via Láctea considerando a referência de tamanho adotada pelo estudo. Se IC 1101 fosse colocada no espaço entre nossa galáxia e Andrômeda, ocuparia grande parte da distância que separa as duas.

Sua massa também impressiona. Dentro do limite identificado pelos pesquisadores existem aproximadamente 3,4 trilhões de massas solares somente em estrelas — cerca de 70 vezes a massa estelar estimada da Via Láctea.

Como medir onde termina uma galáxia?

Uma galáxia não possui uma borda rígida. Quanto mais longe do centro, mais dispersas ficam suas estrelas, até que se torna difícil separar o que pertence à própria galáxia do material existente ao redor.

Foi justamente esse obstáculo que impediu medições mais precisas de IC 1101 no passado.

No estudo publicado na Astronomy & Astrophysics, a equipe utilizou as imagens mais profundas já obtidas da galáxia. Elas foram capturadas pela Wide Field Camera do Telescópio Isaac Newton, instalado no Observatório do Roque de los Muchachos, na ilha de La Palma, nas Canárias.

Foram mais de quatro horas de exposição. A sensibilidade das imagens permitiu observar regiões extremamente tênues que não apareciam claramente em levantamentos anteriores.

Os pesquisadores definiram a borda como a região onde a estrutura organizada de IC 1101 começa a se misturar com a luz difusa do aglomerado que a cerca. É nesse ponto que as estrelas começam a deixar de estar gravitacionalmente associadas à estrutura principal da galáxia.

A maior galáxia conhecida ainda está crescendo

Talvez o aspecto mais curioso da descoberta esteja além dessa fronteira.

As imagens revelaram estruturas extremamente fracas e irregulares ao redor de IC 1101. Algumas chegam a se estender por cerca de 2 milhões de anos-luz a partir do centro da galáxia.

Os astrônomos acreditam que sejam restos de galáxias menores atraídas e destruídas ao longo do tempo pela enorme influência gravitacional de IC 1101 e do aglomerado Abell 2029.

Isso significa que seu tamanho atual não representa necessariamente seu limite definitivo.

As regiões externas apresentam sinais claros de que IC 1101 continua acumulando matéria, exatamente como prevê o modelo hierárquico de formação de galáxias. Nesse cenário, grandes galáxias são construídas ao longo de bilhões de anos por meio de fusões e pela incorporação de sistemas menores.

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© Pexels

O tamanho extremo de IC 1101 também oferece aos astrônomos uma oportunidade para testar os modelos atuais de evolução das galáxias.

O Universo levou aproximadamente 13,7 bilhões de anos para produzir uma estrutura dessas proporções. Portanto, as simulações cosmológicas precisam ser capazes de explicar como uma galáxia conseguiu atingir dimensões tão grandes dentro desse intervalo.

Se os modelos não conseguirem reproduzir objetos como IC 1101, isso pode indicar que algum componente importante do processo de crescimento das maiores galáxias ainda não é completamente compreendido.

A descoberta também oferece uma espécie de visão do futuro. Conforme o Universo continuar evoluindo, outras galáxias massivas poderão passar por novas fusões e acumular matéria suficiente para alcançar dimensões semelhantes.

Por enquanto, porém, IC 1101 permanece no extremo da escala: com um diâmetro confirmado de cerca de 1,7 milhão de anos-luz, ela se consolida como a maior galáxia conhecida com uma medição robusta de sua borda física — e tudo indica que ainda não terminou de crescer.

 

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