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Ciência

Beijo na boca pode transmitir mais do que paixão — e alguns vírus ficam para sempre

No embalo do Carnaval ou em qualquer época do ano, beijar pode parecer inofensivo. Mas a troca de saliva pode facilitar a transmissão de vírus e bactérias que permanecem no organismo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O beijo na boca é símbolo de romance, desejo e celebração. Em períodos como o Carnaval, ele se torna quase parte do ritual da festa. No entanto, o contato íntimo e prolongado entre bocas envolve algo além de química e emoção: há também troca de microrganismos. Embora muitos deles sejam inofensivos, alguns podem causar doenças — e, em certos casos, permanecer no corpo por toda a vida.

Vírus que acompanham o beijo e podem ficar no organismo

Beijo na boca pode transmitir mais do que paixão — e alguns vírus ficam para sempre
© Pexels

Entre as infecções mais conhecidas transmitidas pelo beijo está a mononucleose, popularmente chamada de “doença do beijo”. Ela é causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e se espalha principalmente pela saliva. Após a infecção, o vírus pode permanecer latente no organismo.

Os sintomas costumam incluir febre, dor intensa na garganta, mal-estar e aumento dos linfonodos. Não existe tratamento específico para eliminar o vírus; o cuidado é voltado ao alívio dos sintomas até que o corpo se recupere.

Outro exemplo é o herpes labial, provocado pelo vírus Herpes Simplex tipo 1 (HSV-1). Ele entra nas células da pele e da mucosa oral e pode permanecer “adormecido” no sistema nervoso, reativando-se em momentos de estresse ou queda de imunidade. As famosas bolhas dolorosas nos lábios são o sinal mais comum. Embora não haja cura, medicamentos ajudam a controlar as crises.

A citomegalovirose, causada pelo citomegalovírus, também pode ser transmitida pela saliva. Em pessoas saudáveis, os sintomas costumam ser leves, como febre baixa e mal-estar. Já em indivíduos imunocomprometidos, a infecção pode se tornar mais grave, afetando olhos, sistema nervoso e outros órgãos.

Esses casos mostram que o beijo pode ser porta de entrada para vírus que permanecem no corpo por tempo indeterminado — mesmo quando os sintomas desaparecem.

Bactérias e doenças respiratórias também entram na conta

Nem só de vírus vivem os riscos do beijo. A faringite estreptocócica, por exemplo, é causada por bactérias do gênero Streptococcus. Ao beijar alguém infectado, as bactérias podem colonizar a garganta de quem estava saudável.

Os sintomas incluem dor intensa ao engolir, febre alta e inflamação na região. O tratamento envolve antibióticos, fundamentais para evitar complicações.

Doenças respiratórias também podem ser transmitidas pelo contato íntimo entre bocas. Vírus como o Influenza (gripe), o SARS-CoV-2 (Covid-19) e os responsáveis pelo resfriado comum se espalham por gotículas e secreções das vias aéreas superiores.

O beijo prolongado facilita a entrada desses agentes infecciosos nas mucosas respiratórias. Além de sintomas locais, como dor de garganta e congestão, podem surgir febre, dores no corpo e mal-estar generalizado.

Outro exemplo é a caxumba, provocada por vírus da família Paramyxoviridae. A doença atinge as glândulas salivares, causando inchaço e dor na região das parótidas. A vacinação com a tríplice viral é a principal forma de prevenção.

E as ISTs? O que realmente pode acontecer

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) costumam ser associadas ao contato sexual desprotegido, mas algumas podem, sim, ser transmitidas pelo beijo em determinadas circunstâncias.

Sífilis e gonorreia, por exemplo, podem infectar a região oral. Caso a pessoa infectada tenha feridas ativas na boca — mesmo que pouco visíveis — o beijo pode representar risco de transmissão.

É importante destacar que o risco varia conforme a presença de lesões e a carga infecciosa. Nem todo beijo representa perigo, mas o desconhecimento do estado de saúde do parceiro aumenta a vulnerabilidade.

Isso não significa transformar o beijo em tabu. A maioria das infecções tem prevenção simples ou tratamento eficaz. A vacinação, o cuidado com sintomas aparentes e a atenção a sinais como feridas ou febre são medidas importantes.

O beijo continua sendo expressão de afeto e desejo. Mas entender seus riscos ajuda a tomar decisões mais conscientes — principalmente em épocas de maior exposição, como festas e grandes eventos.

Afinal, informação também é uma forma de cuidado.

[Fonte: Olhar digital]

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