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Ciência

Blue Origin alcança Órbita pela primeira vez com o foguete New Glenn

O foguete de Jeff Bezos finalmente decolou e chegou ao espaço, marcando um grande avanço para a empresa. No entanto, a tentativa de pouso do impulsionador não foi bem-sucedida.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Após anos de desenvolvimento e vários adiamentos, a Blue Origin, empresa espacial de Jeff Bezos, conseguiu finalmente levar seu foguete New Glenn à órbita terrestre. A missão, que ocorreu na madrugada de 16 de janeiro de 2025, marca um grande passo para a empresa, embora a tentativa de pouso do primeiro estágio tenha falhado.

Um marco para a Blue Origin

O foguete New Glenn decolou às 2h03 (horário de Brasília) do Complexo de Lançamento 36, na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, Flórida. Com isso, pela primeira vez, um foguete desenvolvido por Jeff Bezos atingiu a órbita terrestre. Até então, a Blue Origin havia se concentrado no turismo espacial com seu foguete suborbital New Shepard.

A segunda etapa do New Glenn realizou duas ignições bem-sucedidas de seus motores BE-3U, permitindo que a carga útil, chamada Blue Ring Pathfinder, atingisse sua órbita planejada. O impulsionador, no entanto, não conseguiu realizar um pouso suave na plataforma oceânica, resultando em sua perda durante a descida. Apesar disso, o lançamento foi considerado um sucesso para a Blue Origin.

Os desafios antes do lançamento

A jornada para a estreia do New Glenn foi repleta de desafios. A Blue Origin enfrentou diversas mudanças de cronograma devido a condições climáticas desfavoráveis e questões logísticas. Inicialmente previsto para 10 de janeiro, o lançamento foi adiado várias vezes, até que a janela de lançamento foi confirmada para 16 de janeiro.

A Blue Origin teve que lidar com complicações no pouso do primeiro estágio, refletidas no nome humorístico do booster: “So You’re Telling Me There’s a Chance” (“Então Você Está Dizendo Que Há uma Chance”). O nome parecia indicar que a empresa sabia que a recuperação do booster poderia ser difícil na primeira tentativa.

As capacidades do New Glenn

O foguete de 98 metros de altura foi anunciado pela primeira vez há quase uma década e recebeu um investimento de US$ 2,5 bilhões. O New Glenn foi projetado para levar cargas de até 45 toneladas para a órbita baixa da Terra e até 13 toneladas para a órbita geoestacionária.

Sua estrutura é parcialmente reutilizável, com o primeiro estágio projetado para suportar até 25 missões. Ele é movido por sete motores BE-4, que utilizam metano como combustível, diferindo da tecnologia tradicionalmente usada por outros lançadores. Para efeito de comparação, o Falcon Heavy da SpaceX pode levar até 63 toneladas à órbita baixa e 26 toneladas à geoestacionária, além de contar com recuperação de múltiplos estágios.

A missão e a carga útil

O objetivo principal da missão era demonstrar a capacidade do New Glenn de atingir a órbita terrestre. A carga útil transportada foi o Blue Ring Pathfinder, uma plataforma orbital da Blue Origin descrita como um “caminhão espacial”. O objetivo da missão DarkSky-1 (DS-1), patrocinada pelo Departamento de Defesa dos EUA, é testar sistemas terrestres e capacidades operacionais do Blue Ring.

Paul Ebertz, vice-presidente da Blue Origin para sistemas espaciais, destacou a importância da missão: “Estamos empolgados em demonstrar as operações avançadas do Blue Ring na missão inaugural do New Glenn. Este é um primeiro passo crucial para desenvolver capacidades dinâmicas e responsivas no espaço.”

A disputa com a SpaceX

O sucesso do New Glenn reforça a posição da Blue Origin na corrida espacial comercial. Até agora, a empresa de Jeff Bezos focava apenas no turismo espacial com o New Shepard, enquanto sua concorrente SpaceX já dominava o setor de lançamentos orbitais.

A missão também teve um valor estratégico: foi a primeira certificação do New Glenn para lançamentos de segurança nacional, o que abre caminho para futuras missões militares e governamentais. Caso o foguete se torne operacional, poderá competir diretamente com os foguetes Falcon e Starship da SpaceX.

O que vem a seguir?

O próximo desafio para a Blue Origin será garantir a reutilização do primeiro estágio do New Glenn. Enquanto a SpaceX já domina essa tecnologia, a Blue Origin precisa provar que pode realizar pousos bem-sucedidos para reduzir custos operacionais e aumentar sua competitividade no mercado.

Embora a empresa ainda tenha um longo caminho a percorrer para alcançar a SpaceX, o sucesso do New Glenn coloca a Blue Origin no radar da indústria aeroespacial de maneira mais séria do que nunca.

Fonte: Gizmodo US

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