Durante a divulgação de Rental Family, seu novo filme, Brendan Fraser voltou a atacar a Warner Bros. pelo cancelamento de Batgirl. O longa, estrelado por Leslie Grace e com Michael Keaton retornando como Batman, foi engavetado em 2022 mesmo após ter sido filmado. Para Fraser, que interpretaria o vilão Firefly, a decisão permanece como um dos episódios mais lamentáveis da indústria — e um símbolo de como Hollywood passou a tratar a criatividade como mera “linha de produto”.
“Um filme inteiro”: o choque e a frustração de Brendan Fraser
Em entrevista à Associated Press, Fraser lembrou com entusiasmo o clima das filmagens em Glasgow:
“Havia quatro andares de produção. Eu me esgueirava para o departamento de arte só para pirar.”
Para ele, o maior prejuízo não foi financeiro ou artístico, mas simbólico:
“A tragédia é que há uma geração de meninas que não terá uma heroína para olhar e dizer: ‘Ela se parece comigo’. E ainda por cima tínhamos Michael Keaton de volta como Batman.”
O ator reforça que Batgirl tinha potencial de impacto cultural — e que sua remoção do mercado representa uma perda gratuita.
O problema maior: filmes viram “conteúdo” descartável
A parte mais contundente de sua crítica veio quando Fraser abordou o motivo por trás do cancelamento. Segundo ele, o filme virou vítima de uma lógica corporativa que trata produções como itens de planilha:
“O produto — desculpe, ‘conteúdo’ — está sendo tão commoditizado que vale mais destruí-lo e receber o seguro do que deixá-lo disputar espaço no mercado.”
A acusação ecoa debates recentes sobre Hollywood priorizar retornos imediatos e tax write-offs em detrimento da confiança entre estúdios, diretores e atores.
Um padrão que preocupa artistas e criadores
Não é a primeira vez que Fraser se posiciona. Em 2022, durante a campanha por The Whale, ele já havia dito à Variety que a decisão da Warner Bros.
“não gera confiança entre cineastas e o estúdio”.
Batgirl se tornou parte de um padrão problemático, que inclui:
- cancelamento do filme Coyote vs. Acme, também arquivado apesar de pronto
- abandono de projetos promissores do universo DC
- decisões financeiras que ultrapassam escolhas criativas
Para muitos profissionais, essas manobras reforçam a percepção de que estúdios estão dispostos a sacrificar obras inteiras para equilibrar contas — um movimento que ameaça a segurança artística de quem trabalha no setor.
Uma ferida aberta na DC — e na Warner Bros.
A decisão de engavetar Batgirl segue repercutindo dentro e fora da DC Studios. Fãs reclamam que o estúdio desperdiçou:
- o retorno de Michael Keaton
- uma nova heroína latina no centro da história
- um filme praticamente finalizado, já com montagem avançada
Enquanto isso, projetos estratégicos patinam, e o estúdio vive — como brincam muitos fãs — sua “era do ninguém me quer”, acumulando recusas em tentativas de venda.
Para Fraser, o episódio é um alerta sobre a fragilidade da relação entre arte e indústria. A prática de “trancar filmes em cofres” pode se tornar perigosa para a criatividade, a diversidade e a confiança dos profissionais.
Um debate que Hollywood precisa enfrentar
O caso Batgirl simboliza um impasse maior: a arte em choque com a lógica corporativa do streaming, das franquias e do conteúdo descartável.
A crítica de Fraser ecoa dentro da comunidade cinematográfica porque vai além de um filme cancelado. Ela expõe um sintoma de uma indústria disposta a sacrificar obras inteiras se isso significar uma vantagem financeira imediata.
Até que a Warner Bros. e outros estúdios revejam suas práticas, a discussão continuará — e a indignação de Fraser permanecerá como um lembrete de que, para muitos artistas, cinema é mais que produto: é expressão, cultura e legado.