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Brigitte Bardot morre aos 91 anos e encerra um capítulo do cinema

Poucas figuras atravessaram o século 20 com tanta força simbólica quanto Brigitte Bardot. Ícone do cinema, da liberdade feminina e da cultura pop, a atriz francesa morreu neste domingo (28), aos 91 anos, em sua casa em Saint-Tropez, no sul da França. A informação foi confirmada pela Fundação Brigitte Bardot. A causa da morte não foi divulgada.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A notícia marca o fim de uma trajetória que ajudou a redefinir comportamento, moda e a própria ideia de celebridade. Bardot foi muito além das telas — e, ao mesmo tempo, decidiu abandoná-las quando estava no auge.

A estrela que escandalizou e mudou tudo

Nascida em Paris, em 1934, Bardot se tornou um fenômeno global ainda jovem. O ponto de virada veio com E Deus Criou a Mulher, dirigido por Roger Vadim, seu então marido. A cena em que dança descalça, com o cabelo solto e a saia aberta, causou choque, foi censurada em Hollywood e, paradoxalmente, a transformou em símbolo de sensualidade e liberdade.

A partir dali, Brigitte Bardot virou referência. Seu cabelo loiro propositalmente bagunçado, o delineado preto marcante e a atitude desafiadora foram copiados no mundo inteiro. Ela não apenas atuava: influenciava comportamento.

Clássicos, fama global e uma carreira intensa

Brigitte Bardot morre aos 91 anos e encerra um capítulo do cinema
© https://x.com/cameralab21

Ao longo da carreira, estrelou cerca de 50 filmes e se consolidou como uma das atrizes mais fotografadas do planeta. Nos anos 1960, atingiu o auge artístico com títulos como A Verdade, de Henri-Georges Clouzot, e O Desprezo, de Jean-Luc Godard.

Também participou de produções populares como Viva Maria!, O Repouso do Guerreiro e As Petroleiras. Paralelamente, investiu na música e gravou sucessos na França, especialmente em parceria com Serge Gainsbourg.

Irreverência, liberdade e vida pessoal exposta

Bardot nunca se encaixou nas expectativas sociais. Apareceu de biquíni no Festival de Cannes nos anos 1950, usou calças no Palácio do Eliseu quando isso era considerado inadequado e viveu relacionamentos intensamente expostos, sem pedir desculpas por isso.

Teve quatro maridos e diversos romances públicos. Essa postura ajudou a consolidar sua imagem como símbolo de autonomia feminina em plena revolução sexual. A filósofa Simone de Beauvoir resumiu bem o impacto: “Ela faz o que lhe agrada, e é isso que perturba”.

O adeus precoce ao cinema e a causa animal

Em 1973, aos 38 anos, Brigitte Bardot tomou uma decisão radical: abandonou definitivamente o cinema. O motivo não foi desgaste artístico, mas um novo propósito. Ela passou a dedicar sua vida à defesa dos animais e fundou a Fundação Brigitte Bardot, que se tornaria uma das organizações mais influentes do mundo nessa área.

Em entrevistas recentes, dizia ter orgulho da carreira justamente porque a fama lhe dava voz internacional para proteger os animais. Para ela, o passado artístico não era nostalgia, mas ferramenta.

Controvérsias e posicionamentos políticos

Os últimos anos de Bardot também foram marcados por polêmicas. Declarações sobre imigração, islamismo e homossexualidade renderam condenações judiciais por incitação ao ódio racial na França. Entre 1997 e 2008, ela foi multada seis vezes.

Casada desde 1992 com Bernard d’Ormale, ligado à extrema direita, Bardot passou a apoiar publicamente líderes da Frente Nacional, como Jean-Marie Le Pen e Marine Le Pen — a quem chamou de “Joana d’Arc do século 21”. Questionada sobre feminismo, foi direta: disse que não era sua praia.

A ligação inesperada com o Brasil

Em 1964, em busca de anonimato, Brigitte Bardot veio ao Brasil. Passou meses em Armação dos Búzios, então um vilarejo isolado de pescadores. A experiência marcou sua vida — e mudou o destino da cidade, que ganhou projeção internacional.

Hoje, Búzios tem a Orla Bardot e uma estátua em sua homenagem. Mesmo assim, a atriz lamentava a transformação do local ao longo dos anos, lembrando com saudade do período simples e distante dos holofotes.

Brigitte Bardot deixa um legado contraditório, intenso e impossível de ignorar. Entre escândalos, arte, ativismo e polêmicas, ela foi — acima de tudo — alguém que nunca pediu permissão para ser quem era.

[Fonte: G1 – Globo]

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