Cuidar da saúde mental nunca foi tão urgente — e agora, é também uma exigência legal. A partir de maio de 2025, empresas brasileiras deverão adotar medidas concretas de prevenção e suporte psicológico aos trabalhadores, conforme determina a nova Norma Regulamentadora 1 (NR-1). Nesse cenário, além do ambiente corporativo, a alimentação desponta como ferramenta fundamental no combate ao esgotamento físico e mental.
Como a alimentação interfere no combate ao burnout
O Brasil é o segundo país com mais casos de burnout no mundo, atrás apenas do Japão. O transtorno, causado por estresse crônico no ambiente de trabalho, afeta o sistema nervoso e impacta desde a imunidade até o humor e a cognição. A nutricionista e pesquisadora Aline Quissak defende que, além de um ambiente saudável e uma rotina equilibrada, a ingestão adequada de micronutrientes pode evitar e até reverter os efeitos do burnout.
“Vitaminas e minerais não apenas mantêm nosso organismo funcionando corretamente, como também regulam hormônios e neurotransmissores que influenciam diretamente nosso bem-estar emocional”, explica Aline.
As 5 vitaminas que fazem a diferença
Vitamina B12
Ajuda na produção de serotonina e dopamina — neurotransmissores ligados ao bem-estar. Sua deficiência pode provocar fadiga intensa, lapsos de memória e falta de foco.
Fontes: carnes, ovos, peixes e laticínios. Veganos devem considerar suplementação.
Vitamina B6
Participa da síntese de serotonina e GABA, substâncias que reduzem a ansiedade e favorecem o sono.
Fontes: frango, banana, abacate, batata-doce e oleaginosas.
Vitamina D
Baixos níveis estão ligados à depressão e fadiga. Atua na produção de serotonina e no controle da inflamação.
Fontes: exposição solar, salmão, sardinha, ovos e cogumelos.
Vitamina C
Antioxidante que reduz o cortisol (hormônio do estresse), melhora a imunidade e alivia sintomas de ansiedade.
Fontes: acerola, kiwi, morango, pimentão e brócolis.
Vitamina E
Protege o sistema nervoso contra os danos do estresse oxidativo, melhora o fluxo sanguíneo cerebral e combate a fadiga mental.
Fontes: castanhas, azeite, sementes e abacate.
Neurotransmissores: os mensageiros do equilíbrio
Além das vitaminas, certos compostos e aminoácidos ajudam na produção e regulação dos neurotransmissores — substâncias químicas que controlam o humor, o sono, o foco e a sensação de prazer. Entenda os principais:
GABA
É o principal inibidor do sistema nervoso central. Estimula relaxamento e sono de qualidade.
Fontes: chás calmantes como camomila, calêndula, passiflora e própolis alcoólico.
L-Teanina
Presente no chá verde e no matcha, reduz a ansiedade sem causar sonolência. Aumenta os níveis de GABA, serotonina e dopamina.
Triptofano
Aminoácido essencial, precursor da serotonina e da melatonina, regula o humor e o sono.
Fontes: carnes, banana, ovos, sementes, nozes e grãos integrais.
Dopamina
Associada à motivação e prazer. Níveis baixos impactam diretamente a energia e a produtividade.
Fontes: chocolate, café, chá preto, açúcar e produtos com guaraná (com moderação).
O papel das empresas e da nutrição no novo cenário
A nova legislação amplia a responsabilidade das empresas na promoção do bem-estar emocional dos colaboradores. Medidas preventivas, suporte psicológico e estímulo a hábitos saudáveis serão exigidos. A nutrição, nesse contexto, torna-se um elo entre saúde física e mental.
“A alimentação é uma aliada poderosa, mas precisa ser personalizada. É essencial buscar ajuda profissional, especialmente quando os sintomas de burnout já estão instalados”, reforça Aline.
Ela ainda recomenda que trabalhadores que enfrentam jornadas estressantes façam check-ups nutricionais regulares, invistam em uma rotina de autocuidado e não subestimem o poder de uma refeição equilibrada.
Além de vitaminas e neurotransmissores, práticas como atividade física regular, sono reparador, pausas estratégicas e desconexão digital são indispensáveis para manter a saúde mental em dia — tanto dentro quanto fora do ambiente corporativo.
Cuidar do corpo é também cuidar da mente
Prevenir o burnout não se resume a reduzir tarefas ou tirar férias. É uma ação contínua que começa pelas escolhas diárias — e isso inclui o que você coloca no prato. Mais do que nutrir o corpo, uma alimentação adequada ajuda a reequilibrar emoções, restaurar a clareza mental e recuperar a energia vital.
Se você sente que está no limite, busque orientação. A mudança pode começar por algo tão simples — e transformador — quanto repensar suas refeições.
[Fonte: Terra]