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Tecnologia

BYD revela tecnologia que promete carregar carros elétricos em poucos minutos

Uma nova geração de baterias apresentada por uma montadora chinesa promete reduzir drasticamente o tempo de carregamento dos carros elétricos. A tecnologia pode alterar o ritmo da competição global no setor.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Para muitos motoristas, o principal obstáculo dos carros elétricos ainda é o mesmo: o tempo necessário para recarregar a bateria. Enquanto abastecer um carro a combustão leva poucos minutos, recarregar um veículo elétrico pode exigir longas paradas. Agora, uma nova tecnologia anunciada por uma das maiores fabricantes do mundo promete encurtar esse intervalo de forma significativa — e pode mudar o equilíbrio da corrida global pelos veículos elétricos.

Uma bateria que tenta eliminar a espera nos carros elétricos

BYD revela tecnologia que promete carregar carros elétricos em poucos minutos
© https://x.com/EVFleetWorld/

A montadora chinesa BYD anunciou uma nova geração de baterias desenvolvida para reduzir drasticamente o tempo de carregamento de veículos elétricos.

O sistema, chamado Blade Battery 2.0, foi projetado para carregar de 10% a 70% em menos de cinco minutos. Para atingir carga total, seriam necessários apenas alguns minutos adicionais, levando o processo completo a menos de dez minutos.

Caso esses números se confirmem em uso real, a tecnologia poderia aproximar a experiência de recarga elétrica do tempo gasto em um abastecimento tradicional.

A nova bateria deve estrear no Yangwang U7, um sedã de luxo de grande porte desenvolvido pela marca.

Outro ponto destacado pela fabricante é o desempenho em condições climáticas adversas. Segundo a empresa, mesmo em temperaturas muito baixas — próximas de -20 °C — a bateria conseguiria passar de 20% para 97% de carga em cerca de 12 minutos.

Esse desempenho busca resolver um dos desafios conhecidos das baterias: a perda de eficiência em climas frios.

Uma tecnologia mais barata que as baterias tradicionais

Para alcançar esses resultados, a BYD aposta em um tipo específico de célula conhecido como fosfato de ferro-lítio, ou simplesmente LFP.

Essa tecnologia vem ganhando espaço na indústria automotiva porque utiliza materiais mais baratos e mais abundantes do que outras químicas de bateria.

Modelos tradicionais frequentemente dependem de metais como cobalto e níquel, utilizados em baterias do tipo níquel-manganês-cobalto (NMC). Esses materiais costumam ser mais caros e sujeitos a oscilações de preço no mercado internacional.

De acordo com estimativas da BloombergNEF, baterias LFP podem custar cerca de US$ 81 por quilowatt-hora, enquanto as NMC chegam a aproximadamente US$ 128 por quilowatt-hora.

Apesar da vantagem econômica, essa tecnologia apresenta uma limitação importante: menor densidade energética.

Isso significa que as baterias armazenam menos energia no mesmo espaço físico, o que pode reduzir a autonomia dos veículos.

Tradicionalmente, por esse motivo, as baterias LFP aparecem com mais frequência em carros elétricos de entrada ou em modelos mais acessíveis.

A estratégia da BYD é compensar essa limitação oferecendo tempos de recarga muito mais rápidos, tornando a tecnologia competitiva também em veículos de categorias superiores.

A infraestrutura também faz parte da equação

Apesar dos números impressionantes, o desempenho máximo da nova bateria depende de uma infraestrutura específica de carregamento.

Para atingir as velocidades anunciadas, o veículo precisa ser conectado aos novos carregadores Flash Charging EV, desenvolvidos pela própria BYD.

Esses equipamentos são capazes de fornecer até 1,5 megawatt de potência, um nível muito acima da maioria dos carregadores disponíveis atualmente.

Hoje, os carregadores rápidos mais comuns na Europa e nos Estados Unidos costumam atingir cerca de 350 kW, embora sistemas de até 500 kW estejam começando a aparecer em alguns mercados.

A BYD afirma que já possui cerca de 4.200 estações Flash instaladas na China e planeja expandir essa rede para aproximadamente 16 mil unidades até o final do ano.

Além disso, a empresa pretende equipar essas estações com grandes sistemas de armazenamento de energia, capazes de reduzir o impacto do carregamento ultrarrápido na rede elétrica.

Uma disputa cada vez mais intensa entre fabricantes

O investimento em carregamento ultrarrápido também faz parte de uma estratégia para manter a liderança em um mercado cada vez mais competitivo.

Nos últimos anos, o setor de carros elétricos na China passou por uma expansão acelerada, com diversas novas fabricantes entrando na disputa.

Empresas como Li Auto, Xpeng, Xiaomi e Zeekr vêm ampliando rapidamente seus portfólios e pressionando os preços no mercado.

Embora a BYD ainda seja a maior fabricante global de veículos elétricos, a companhia já começou a sentir os efeitos dessa competição.

Nos dois primeiros meses do ano, as vendas da empresa registraram uma queda significativa, aumentando a pressão para lançar novas tecnologias capazes de atrair consumidores.

No caso do Yangwang U7, a empresa promete uma autonomia superior a 1.000 quilômetros no ciclo de testes chinês CLTC — conhecido por apresentar estimativas mais otimistas.

Em condições reais de uso, a autonomia estimada seria de aproximadamente 640 quilômetros por carga.

Mesmo assim, alguns concorrentes ainda apresentam números mais altos em testes independentes.

Um exemplo citado por especialistas é o Lucid Air Grand Touring, que pode alcançar cerca de 824 quilômetros de autonomia no ciclo de testes da agência americana EPA.

Ainda assim, a aposta da BYD parece clara: reduzir drasticamente o tempo de recarga pode ser o fator decisivo para convencer mais motoristas a migrar para os carros elétricos.

[Fonte: Olhar digital]

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