A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva acusou a Meta de interferir nas eleições brasileiras ao limitar a distribuição de seus conteúdos. A denúncia, apresentada em 10 de outubro, ocorre durante o segundo turno contra Flávio Bolsonaro. A empresa nega favorecimento. O conflito chegou à Justiça Eleitoral, que solicitou informações técnicas para avaliar as alegações antes de decidir sobre o pedido de intervenção imediata nas plataformas.
Quais problemas a campanha denuncia
CAMPANHA DO PRESIDENTE LULA DENUNCIA INTERFERÊNCIA DA META NAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS pic.twitter.com/1zfAwQ0dtK
— 𝗠𝗮𝗰𝗮𝗰𝗼𝘀 𝗠𝗲 𝗠𝗼𝗿𝗱𝗮𝗺™ 1️⃣3️⃣🌵 (@mmmordam13) October 11, 2026
Segundo a nota da campanha reproduzida pelo UOL, o perfil de Lula ficou impedido de impulsionar publicações do feed do Instagram entre 9 de outubro e a manhã seguinte.
O grupo afirma enfrentar episódios recorrentes desde dezembro e considera insuficientes as explicações sobre falhas técnicas. Camilo Santana, coordenador da campanha, argumentou que as restrições poderiam desequilibrar a disputa. Os petistas também anunciaram que recorreriam à Agência Nacional de Proteção de Dados.
A campanha relatou ainda interrupções no registro de visualizações e dificuldades para encontrar perfis de dirigentes de esquerda na busca do Instagram. Na resposta enviada à AFP, a Meta classificou as acusações como falsas e afirmou que diversos problemas mencionados atingiram outros mercados e contas.
Éden Valadares, secretário de comunicação do PT, reconheceu à agência que não havia provas de um vínculo concreto entre os episódios e uma suposta atuação do governo americano. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
TSE exige informações antes de decidir
O despacho relatado pela Agência Estado concedeu 48 horas para a apresentação de esclarecimentos. A Meta deverá preservar registros de moderação, dados de anúncios e métricas relacionados ao caso.
O tribunal pediu informações individualizadas sobre medidas aplicadas desde 16 de agosto aos perfis oficiais de Lula e às demais contas indicadas. A solicitação inclui reduções de alcance, restrições de busca e exclusões dos sistemas de recomendação.
Também entram na análise alterações nas métricas de vídeos publicados em 7 de outubro e a desativação da conta de anúncios da campanha em 23 de setembro.
Outra questão envolve uma suposta rede de 255 perfis automatizados. O TSE pediu explicações sobre sua identificação e eventuais providências, além de solicitar a metodologia dos levantamentos à Agência Lupa e ao Instituto Democracia em Xeque. Após a resposta da empresa, a coligação e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão prazo para se manifestar.
Pedido de esclarecimentos não confirma interferência

Conforme a decisão descrita pela Exame, o ministro responsável considerou que boa parte das evidências apresentadas era indireta. O material incluía relatos de usuários, reportagens e referências a estudos.
Essa condição motivou a busca por informações técnicas antes da apreciação do pedido urgente. A campanha solicita o fim de restrições injustificadas, a remoção de contas automatizadas e tratamento igualitário entre as candidaturas.
A Meta, por sua vez, afirma cumprir as normas eleitorais e aplicar suas regras de maneira isonômica. A apuração deverá confrontar essas posições com os registros das plataformas. Até essa etapa, a existência de problemas relatados permanece distinta da comprovação de favorecimento político deliberado.