O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o Brasil terá mais de 71 mil novos casos de câncer de próstata até 2025. É um número alto, mas não único. Segundo o oncologista Márcio Almeida, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), tumores no pênis representam menos de 2% dos cânceres masculinos, e o câncer de testículo segue raro, embora seja o mais frequente entre homens de 15 a 40 anos.
Justamente por serem menos comuns, esses tumores acabam ficando “escondidos” — e essa invisibilidade aumenta o risco.
“Apesar da menor incidência, ambos merecem destaque porque afetam homens em fase produtiva e sexualmente ativa. Além disso, podem evoluir rápido se não tratados”, alerta o especialista. Vergonha, estigma e desconhecimento também empurram muitos pacientes para diagnósticos tardios.
Como identificar os primeiros sinais
Saber reconhecer sintomas é a principal ferramenta para derrotar o câncer de pênis e o câncer de testículo ainda no início. Veja como identificar:
Sinais de câncer de pênis
- Feridas que não cicatrizam
- Verrugas, nódulos ou áreas endurecidas
- Secreção com odor forte
- Vermelhidão persistente na glande
- Dor ao urinar (menos comum)
Sinais de câncer de testículo
- Aumento do volume de um testículo
- Caroço endurecido e geralmente indolor
- Sensação de peso no saco escrotal
- Dor leve que não passa
- Mudanças no formato ou consistência
Outros sintomas devem acender o alerta, como perda de peso sem explicação, febre baixa contínua e cansaço prolongado. Qualquer alteração persistente — mesmo sem dor — já é motivo para procurar um médico.
O peso do diagnóstico precoce (e o impacto emocional)
A diferença entre descobrir cedo ou tarde pode ser enorme. No câncer de testículo, as taxas de cura passam de 95% quando a detecção ocorre nos estágios iniciais. Já no câncer de pênis, identificar pequenas lesões evita cirurgias mutiladoras e preserva função sexual, autoestima e fertilidade.
Mesmo assim, muitos homens demoram a buscar ajuda. Medo, vergonha e a sensação de “ameaça à masculinidade” afastam pacientes do consultório e dificultam o tratamento.
Para Almeida, o suporte psicológico é tão importante quanto os exames. “O tratamento salva vidas, e a sexualidade não se resume a um único órgão. A orientação correta muda completamente a percepção do paciente”, afirma.
Prevenção: veja como reduzir riscos agora
Além de reconhecer sinais precoces, adotar cuidados simples pode diminuir drasticamente o risco desses tumores.
Para prevenir câncer de pênis
- Higiene íntima diária e adequada (essencial para homens não circuncidados)
- Vacina contra HPV
- Não fumar
- Tratar fimose, quando indicado
- Usar preservativo
Para prevenir câncer de testículo
- Autoexame mensal após o banho
- Atenção a nódulos indolores
- Consulta imediata diante de qualquer alteração
Além disso, manter uma vida sexual responsável, fazer exames preventivos e participar de campanhas como o Novembro Azul ajudam a quebrar tabus e ampliar a informação.
Por que falar disso importa
O câncer de pênis e o câncer de testículo ainda recebem pouca atenção — mas afetam homens jovens, sexualmente ativos e em plena fase produtiva. Abrir espaço para o diálogo, buscar informação confiável e abandonar preconceitos é um passo essencial para reduzir mortes evitáveis.
Se o alerta serve para algo, é para lembrar que cuidar da saúde masculina não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade com o próprio futuro. Entenda os sinais, descubra seus riscos e busque ajuda sem vergonha: prevenção ainda é o melhor caminho.
[Fonte: Correio Braziliense]