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Tecnologia

Casio contra os celulares: a estratégia inesperada que mira conquistar a África

As calculadoras de bolso perderam espaço no Ocidente diante dos smartphones e aplicativos. Mas uma empresa japonesa encontrou uma forma de reinventar o negócio em lugares onde ainda há demanda real. Com uma estratégia que mistura educação, tradição e adaptação local, ela pretende conquistar novos mercados e transformar um setor em declínio em uma oportunidade de crescimento.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A calculadora como aliada da educação

Para além da simples venda de dispositivos, a Casio criou o programa Gakuhan, voltado para métodos de ensino que integram o uso da calculadora científica. O grande diferencial é que esses aparelhos, ao contrário dos smartphones, não oferecem conexão com a internet nem facilidade para copiar respostas. Assim, tornam-se ferramentas confiáveis em exames e parte essencial das habilidades que alunos precisam desenvolver em sala de aula.

Novos horizontes na Ásia e na África

Em vez de insistir nos mercados já saturados da Europa e dos Estados Unidos, a Casio voltou seus esforços para regiões emergentes. Países como Egito, Indonésia, Filipinas, Bangladesh e Tailândia estão entre os alvos prioritários. Nessas nações, a empresa trabalha diretamente com professores e ministérios da educação, fornecendo material didático que reforça a importância das calculadoras nas aulas e nas avaliações oficiais. O resultado é um nicho resistente, capaz de gerar receita estável mesmo diante da queda global nas vendas.

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© FreePik

Reinventando um negócio em declínio

Embora as vendas mundiais de calculadoras tenham encolhido para dois terços do seu auge, a Casio ainda comercializa milhões de unidades todos os anos. Para se adaptar, ampliou em 40% seu portfólio de calculadoras científicas nos últimos sete anos, chegando a 73 modelos. Cada um é ajustado a padrões locais: do uso de vírgulas em países europeus até o modo exame no Reino Unido, que bloqueia funções extras durante provas.

Mais que nostalgia: um recurso ainda essencial

Enquanto produtos clássicos como o walkman ou os telefones públicos desapareceram, as calculadoras continuam presentes em escolas e universidades. Para 2025, a Casio planeja vender 23 milhões de unidades, um aumento de 10% em relação ao ano anterior. Mesmo sem o prestígio de outros tempos, esses aparelhos seguem indispensáveis para milhões de estudantes — e a aposta da empresa mostra que ainda há muito espaço para crescer em mercados alternativos.

O caso da Casio demonstra como a reinvenção de um produto aparentemente ultrapassado pode abrir caminhos inesperados. Ao unir tradição com adaptação local e foco na educação, a marca prova que até um item considerado obsoleto pode se transformar em ferramenta estratégica para o futuro.

 

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