Em uma entrevista ao podcast GamerTag Radio, o chefe do Xbox reforçou a estratégia atual da empresa de disponibilizar mais jogos exclusivos em múltiplas plataformas, enquanto garantiu aos apresentadores que o Xbox ainda não terminou de fabricar… bem, Xboxes.
Logo no início da entrevista, Spencer respondeu a especulações sobre uma possível saída da Microsoft do mercado de consoles. Ele foi direto:
“Acho que o hardware é fundamental para o que o Xbox representa. Não me escapa que ‘Box’ está no nome da marca,” explicou. “Hardware é uma parte crítica do que fazemos.”
Com jogos do Xbox aparecendo com mais frequência no PlayStation 5 e no Switch, Spencer explicou aos anfitriões Danny Peña e Parris Lilly que, embora ele queira que “nosso hardware vença,” percebeu que, nos últimos 20 anos, o sucesso veio de priorizar os jogos, e não as plataformas.
“No cargo que ocupo, vejo o hardware como uma parte essencial do que fazemos, mas não quero bloquear os jogos em outras plataformas,” afirmou.
Spencer ressaltou que ainda há trabalho a fazer para tornar os jogos do Xbox mais acessíveis em PCs portáteis, como o Steam Deck e o Lenovo Legion Go. Essa abertura é bem-vinda, considerando que um console portátil do Xbox ainda parece estar a alguns anos de distância.
A postura da Microsoft se alinha à estratégia da Sony, que nos últimos anos tem levado seus grandes sucessos — como Ghost of Tsushima, God of War e Spider-Man 2 — para o PC, embora geralmente com mais de um ano de exclusividade no PlayStation 5. Com os custos de produção de jogos cada vez mais altos, manter um título exclusivo em uma única plataforma se torna menos viável financeiramente.
Spencer também expressou entusiasmo com o futuro Switch 2 e confirmou que a Xbox apoiará o novo console da Nintendo com seus jogos, embora sem entrar em detalhes.
Curiosamente, a entrevista quase não abordou o Game Pass. O serviço de assinatura da Xbox, que foi reformulado no meio do ano com um aumento de preços — o que, para muitos, arruinou o que era considerado o melhor custo-benefício do mercado —, não esteve em foco na conversa.
Durante anos, o Game Pass foi a maior razão para se adquirir um Xbox, por oferecer lançamentos exclusivos no Day One. No entanto, com a nova estratégia da Microsoft de lançar jogos em várias plataformas — algumas das quais não suportam o serviço —, faz sentido que o Game Pass esteja perdendo o protagonismo nas discussões sobre o futuro da marca.
Phil Spencer deixou claro: a Xbox não está saindo do mercado de hardware, mas também não vai prender seus jogos em um único ecossistema. Com o foco em conteúdo acessível e o apoio a múltiplas plataformas, a Microsoft parece disposta a redefinir o que significa ser “Xbox” em uma era de jogos cada vez mais multiplataforma.