Pular para o conteúdo
Tecnologia

China corre contra o tempo para enfrentar a SpaceX no espaço

A corrida espacial entrou em uma fase decisiva: enquanto os Estados Unidos dominam com milhares de satélites, a China enfrenta atrasos, desafios tecnológicos e riscos crescentes. Mas o gigante asiático tem uma estratégia ousada para tentar reduzir a distância – e ela já começou.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

A disputa pelo espaço vai muito além da exploração científica: trata-se de comunicações estratégicas, defesa militar e economia digital. A China, que já domina setores como painéis solares e baterias, tenta alcançar a SpaceX no lançamento de megaconstelações de satélites. No entanto, a diferença tecnológica ainda é enorme, e o tempo corre contra Pequim.

O abismo entre SpaceX e China

Space X Chiness
© X-@SpaceX

De acordo com um levantamento do The New York Times, a SpaceX acumula 8.000 satélites Starlink em órbita, enquanto as duas principais redes chinesas, Qianfan e Guowang, somam apenas 120 unidades.

Esses satélites de órbita baixa são vitais para:

Pequim vê a Starlink como uma ameaça direta à sua segurança nacional. Por isso, planeja lançar 27.000 satélites em duas megaconstelações. Mas a realidade é bem mais lenta:

  • Qianfan previa 650 satélites até o fim do ano, mas lançou apenas 90.

  • Guowang, com 13.000 satélites planejados, colocou 34 em órbita desde 2020.

O desafio dos foguetes reutilizáveis

O principal gargalo da China é tecnológico. A SpaceX domina há anos os foguetes reutilizáveis, capazes de reduzir custos e acelerar lançamentos.

  • O Falcon 9 pode ser reutilizado até 20 vezes, tornando cada missão mais barata.

  • A China ainda depende de foguetes descartáveis, que encarecem e atrasam o processo.

  • Seus projetos Long March 8R, Zhuque-3 e Tianlong-3 acumulam falhas e atrasos.

Enquanto isso, a SpaceX já ultrapassou 500 lançamentos bem-sucedidos, consolidando sua vantagem.

Aposta internacional e riscos ocultos

Apesar das dificuldades, Pequim busca acordos estratégicos para ampliar sua presença global. Já firmou contratos com Brasil, Tailândia, Malásia e Cazaquistão, aproveitando o receio de alguns países em depender totalmente da tecnologia dos EUA.

No primeiro semestre, a China lançou 150 satélites, mas precisará multiplicar por cinco ou seis esse ritmo para cumprir os prazos de frequência internacional.

Além disso, há riscos crescentes:

  • Os satélites Qianfan orbitam a 1.000 km, dificultando sua remoção e aumentando o risco de lixo espacial persistente.

  • Sua alta luminosidade (magnitude 5,2) os torna visíveis a olho nu, gerando preocupações entre astrônomos.

O prazo que pode decidir o futuro

Pelas regras internacionais, a China deve lançar metade dos satélites em cinco anos após garantir as frequências, completando o projeto em sete anos. Caso não consiga, poderá perder direitos e reduzir o tamanho das redes.

No cenário global, a China segue líder em fabricação, baterias e semicondutores tradicionais, mas em setores de alto risco e inovação radical, como lançamentos orbitais, biotecnologia e IA espacial, os EUA ainda mantêm vantagem.

A grande diferença está na mentalidade empresarial: enquanto a SpaceX aposta em fracassos rápidos e baratos, as empresas chinesas buscam sucesso garantido, o que atrasa avanços disruptivos.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados