O Brasil está descobrindo a China como destino turístico. Com paisagens icônicas, cidades futuristas e uma história milenar, o país asiático se consolidou em 2025 como alvo de desejo entre viajantes brasileiros. Dados de plataformas como KAYAK, Decolar e Booking.com mostram um salto expressivo nas buscas por voos e hospedagens — reflexo direto da isenção de visto e do crescente apelo cultural.
O efeito da isenção de visto

Desde 1º de junho de 2025, brasileiros podem entrar na China sem visto para estadias de até 30 dias. A política, válida até maio de 2026, facilitou o planejamento de viagens e reduziu barreiras burocráticas. Para agências como a Mundo Ásia Tours, que recebe turistas brasileiros, o impacto já é perceptível: consultas aumentaram e há expectativa de que 2026 marque um ponto de virada, especialmente se a medida for prorrogada.
Em 2019, antes da pandemia, pouco mais de 20 mil brasileiros visitaram a China. Em 2024, foram cerca de 12 mil. Agora, a projeção é de que esse número possa dobrar até 2027.
Onde o interesse é maior
Segundo o KAYAK, buscas por voos cresceram 205% para Hong Kong, 188% para Pequim e 121% para Xangai. A Decolar registrou aumento de 85% em passagens aéreas entre Brasil e China no segundo semestre de 2025, com pico em outubro, impulsionado pela Golden Week — o feriado nacional chinês de sete dias.
A Booking.com identificou alta de 229% em pesquisas de hospedagem feitas por brasileiros entre setembro de 2025 e março de 2026, com Xangai, Pequim, Guangzhou e Chongqing entre as preferidas. O destaque fica para Zhangjiajie, famoso por suas formações rochosas que inspiraram o filme Avatar: as buscas entre famílias saltaram mais de 1.000%.
O turismo no calendário chinês
Planejar a data da viagem é essencial. O outono, entre setembro e novembro, oferece clima agradável e preços mais atrativos. Já períodos como a Golden Week (outubro), o Ano Novo Lunar (janeiro/fevereiro) e o Dia do Trabalho (maio) elevam custos e lotam atrações.
Para roteiros, a combinação clássica inclui Pequim, Xi’an e Xangai — mistura de tradição e modernidade. Hong Kong aparece como porta de entrada cosmopolita, muitas vezes associada a Shenzhen e Guangzhou. Na natureza, Zhangjiajie e Guilin ganham força entre os brasileiros.
Obstáculos que ainda freiam o sonho

Apesar do interesse, transformar buscas em viagens reais esbarra em desafios. O preço das passagens aéreas é o maior deles: bilhetes em classe econômica variam de R$ 8 mil a R$ 25 mil. A expectativa é de que o cenário melhore com novas rotas, como a anunciada entre China e Argentina em 2026.
Outros entraves incluem a barreira do idioma, já que o inglês é pouco falado fora das grandes cidades, e a conectividade digital limitada — apps populares no Brasil, como WhatsApp e Instagram, são bloqueados. Além disso, a dimensão continental da China exige planejamento detalhado de deslocamentos internos, seja por trem-bala ou voos domésticos.
Cooperação Brasil-China e o olhar para 2026
As relações bilaterais ganharam impulso em julho, quando o Ministério do Turismo do Brasil e a Embaixada da China firmaram acordos para promover destinos e culturas. Entre as iniciativas, estão o Ano da Cultura Brasil-China, em 2026, e projetos voltados a turismo esportivo e integração entre países dos BRICS.
Especialistas acreditam que 2025 e 2026 funcionam como fase de maturação, em que o interesse se consolida, mas depende de ajustes práticos — desde preços mais acessíveis até políticas de incentivo. Se confirmadas as expectativas, a China pode se firmar como um dos principais destinos internacionais para os brasileiros até o fim da década.
[ Fonte: CNN Brasil ]