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Ciência

Cientistas confirmam impacto de asteroide que criou cratera no Mar do Norte e resolvem mistério de 20 anos

Durante décadas, uma enorme estrutura no fundo do Mar do Norte intrigou geólogos. Agora, novas análises revelaram que ela nasceu de um impacto espacial capaz de gerar um megatsunami.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A Terra guarda inúmeras cicatrizes deixadas por colisões cósmicas, mas algumas delas permanecem escondidas por milhões de anos. No fundo do Mar do Norte, uma estrutura misteriosa descoberta no início dos anos 2000 intrigava cientistas: seria resultado de processos geológicos ou de um impacto vindo do espaço? Depois de duas décadas de debate científico, um novo estudo finalmente reuniu as evidências necessárias para responder à pergunta.

A cratera escondida sob o Mar do Norte

Cientistas confirmam impacto de asteroide que criou cratera no Mar do Norte e resolvem mistério de 20 anos
© https://x.com/ULTIMAHORAENX/

Pesquisadores confirmaram que a chamada Cratera de Silverpit, localizada no fundo do Mar do Norte próximo à costa da Inglaterra, foi formada pelo impacto de um asteroide ocorrido entre 43 e 46 milhões de anos atrás.

A conclusão aparece em um estudo publicado na revista científica Nature Communications em setembro de 2025. A pesquisa utilizou técnicas modernas de análise geológica e imagens sísmicas de alta resolução para investigar a estrutura submarina.

A cratera possui cerca de 3,2 quilômetros de diâmetro e está localizada aproximadamente 130 quilômetros da costa britânica, a cerca de 700 metros de profundidade.

Quando foi descoberta em 2002, a origem da formação gerou intenso debate. Alguns cientistas acreditavam que ela poderia ter sido criada por movimentos de sal subterrâneo ou por processos geológicos naturais no fundo do mar.

Outros defendiam uma hipótese bem mais dramática: o impacto de um corpo celeste.

Durante anos, faltavam evidências conclusivas para resolver a discussão. Agora, novos dados finalmente apontam para um evento de proporções gigantescas.

A colisão que aconteceu em segundos

Segundo os pesquisadores, o objeto responsável pela cratera tinha cerca de 160 metros de diâmetro e atingiu a região a uma velocidade impressionante de aproximadamente 15 quilômetros por segundo.

O impacto ocorreu em um ângulo relativamente baixo, vindo da direção oeste-noroeste.

Apesar de durar apenas alguns segundos, o evento desencadeou uma sequência de efeitos extremos.

Em cerca de 12 segundos, a colisão escavou a cratera submarina e lançou enormes volumes de sedimentos, rochas e água para o ambiente ao redor.

O choque liberou energia suficiente para provocar um megatsunami que se espalhou pelo Atlântico Norte.

Estimativas indicam que algumas ondas podem ter ultrapassado 100 metros de altura, capazes de causar impactos massivos em regiões costeiras.

Além disso, o calor gerado pela colisão foi tão intenso que vaporizou instantaneamente camadas de calcário presentes no fundo marinho.

Esse processo liberou grandes quantidades de vapor de água e dióxido de carbono para a atmosfera em questão de segundos.

Ao mesmo tempo, uma cortina gigantesca de detritos e água foi lançada para cima antes de desabar novamente sobre o oceano, remodelando o fundo do mar.

As pistas microscópicas que resolveram o mistério

A prova decisiva da origem extraterrestre veio da análise de fragmentos de rocha coletados em um poço de perfuração próximo à cratera.

Os cientistas identificaram grãos de quartzo e feldspato com marcas microscópicas chamadas lamelas de choque.

Essas estruturas são conhecidas na geologia por se formarem apenas sob pressões extremamente altas — entre 10 e 13 gigapascais — níveis que não aparecem em processos naturais da Terra.

Essas pressões, no entanto, são comuns durante impactos de meteoritos ou asteroides de alta velocidade.

Além dessa evidência microscópica, os pesquisadores analisaram dados de sísmica tridimensional de alta resolução, que funcionam como uma espécie de “ultrassom” do subsolo marinho.

As imagens revelaram uma estrutura típica de crateras de impacto: um levantamento central de rochas cercado por anéis e pequenas crateras secundárias.

Esses padrões são frequentemente observados em locais onde corpos espaciais colidiram com a superfície terrestre.

O fim de um debate científico de duas décadas

A confirmação da origem da cratera encerra uma discussão que durou mais de vinte anos na comunidade científica.

Durante esse período, várias hipóteses tentaram explicar a formação de Silverpit sem recorrer a um impacto espacial.

Algumas teorias sugeriam que a estrutura poderia ter surgido por movimentos de depósitos profundos de sal ou por atividades geológicas incomuns.

No entanto, a nova análise mostrou que a cratera não possui ligação com essas estruturas subterrâneas.

Para o geólogo Uisdean Nicholson, da Universidade Heriot-Watt e líder do estudo, a descoberta coloca Silverpit entre um grupo relativamente pequeno de crateras marinhas bem preservadas no planeta.

Esses locais são especialmente valiosos para os cientistas porque ajudam a compreender melhor como colisões cósmicas moldaram a história da Terra.

Além disso, estudar esses eventos também contribui para entender os possíveis impactos de futuros objetos espaciais que possam cruzar o caminho do nosso planeta.

Afinal, mesmo um asteroide relativamente pequeno — como o que formou Silverpit — é capaz de desencadear efeitos gigantescos quando encontra a Terra.

[Fonte: Olhar digital]

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