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Tecnologia

Cientistas criam tecnologia que deixa o GPS quase perfeito nas cidades — com precisão de até 10 centímetros

Um avanço desenvolvido na Noruega promete transformar a forma como navegamos em ambientes urbanos. A nova tecnologia reduz o erro dos sistemas de localização a menos de dez centímetros, mesmo entre arranha-céus e ruas estreitas, e pode chegar em breve a qualquer smartphone ou smartwatch do mundo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Pesquisadores da Norwegian University of Science and Technology (NTNU) desenvolveram um método que torna o GPS até dez vezes mais preciso em contextos urbanos, onde a navegação por satélite costuma falhar.
Batizado de SmartNav, o sistema combina técnicas avançadas de posicionamento e mapas 3D do Google para corrigir distorções causadas por reflexos de prédios e interferências de sinal.

O desafio do GPS nas cidades

Gps
© Tobias Rademacher – Unsplash

Nas grandes cidades, o GPS enfrenta um problema crônico. As construções altas formam o que os cientistas chamam de “cânions urbanos”, espaços onde os sinais de satélite rebatem nas fachadas de vidro e concreto, distorcendo as leituras de localização.
Esse efeito pode deslocar a posição de um usuário por vários metros, comprometendo desde aplicativos de navegação até sistemas de direção autônoma.

“As cidades são brutais para a navegação por satélite”, resume o pesquisador Ardeshir Mohamadi, responsável pelo projeto.
Segundo ele, os erros acumulados nessas regiões tornam inviável confiar plenamente no GPS tradicional, especialmente em situações de segurança crítica.

SmartNav e a revolução do posicionamento preciso

A resposta da NTNU a esse desafio foi o desenvolvimento do SmartNav, uma plataforma que melhora a precisão do posicionamento usando a fase portadora do sinal de satélite, um método mais estável do que o tradicional baseado em código.
Embora técnicas assim já existam, elas eram pouco práticas para dispositivos em movimento — algo que o novo sistema conseguiu resolver.

O segredo está na combinação de algoritmos próprios com a tecnologia PPP-RTK (Precise Point Positioning – Real Time Kinematic), que reúne o melhor dos dois mundos: a cobertura global do PPP e a precisão instantânea do RTK, sem depender de uma rede densa de estações de referência ou de serviços pagos.

Além disso, a parceria com o Google foi crucial.
Com o uso de modelos 3D de cerca de 4 mil cidades, a equipe conseguiu prever e corrigir em tempo real os erros de reflexão dos sinais.
“Combinamos dados de sensores, Wi-Fi, redes móveis e modelos tridimensionais de edifícios para criar estimativas de posição altamente resistentes a interferências”, explica Mohamadi.

Testes e resultados impressionantes

Os testes realizados em Trondheim, na Noruega, mostraram que o SmartNav atingiu precisão inferior a dez centímetros em 90% dos casos — um salto gigantesco frente aos GPS convencionais.
Nas simulações, as rotas corrigidas acompanharam o trajeto real com fidelidade, enquanto os mapas comuns exibiam desvios perceptíveis.

Para o pesquisador, essa diferença pode ser decisiva:
“Em veículos autônomos, dez centímetros separam uma condução segura de um comportamento imprevisível”, destacou Mohamadi.

Um futuro acessível e global

Um dos maiores trunfos da tecnologia é sua compatibilidade com dispositivos de baixo custo.
O SmartNav pode ser integrado a smartphones e relógios esportivos, sem exigir sensores caros ou infraestrutura especializada.
A união de PPP-RTK com os mapas 3D do Google elimina a necessidade de antenas ou assinaturas premium, tornando o sistema acessível ao público comum.

Segundo a NTNU, essa democratização do posicionamento de alta precisão pode redefinir a mobilidade urbana.
Ao permitir que qualquer pessoa navegue com exatidão milimétrica, mesmo entre edifícios densos, o SmartNav promete melhorar a segurança, a logística e a eficiência de milhões de deslocamentos diários.

Navegação do futuro, hoje

A inovação abre caminho para uma nova era da localização digital.
Com precisão quase cirúrgica e funcionamento em tempo real, o SmartNav pode beneficiar desde entregadores e motoristas de aplicativo até drones e veículos autônomos.
O GPS urbano, antes visto como um ponto fraco das tecnologias móveis, agora tem uma solução concreta — e acessível — nas mãos da ciência norueguesa.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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