Reunidos em Copenhague, Dinamarca, nesta quarta-feira, líderes da União Europeia analisaram temas como comércio, guerra na Ucrânia e segurança. Mas o assunto que ganhou força foi a ideia de erguer uma “muralha de drones”, proposta pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como resposta a uma onda de intrusões aéreas que têm atingido o continente.
Intrusões e ataques híbridos
Nas últimas semanas, vários países europeus relataram a presença de drones misteriosos em seu espaço aéreo. Na Dinamarca, eles chegaram a fechar temporariamente aeroportos, em episódios descritos como parte de um “ataque híbrido”, que também incluiu ofensivas cibernéticas.
Na Polônia, caças da OTAN derrubaram drones russos, e autoridades alemãs investigam objetos voadores perto de usinas, refinarias, hospitais e até bases militares no norte do país.
Moscou nega envolvimento e chegou a afirmar que os drones vistos na Dinamarca seriam parte de uma operação de bandeira falsa para provocar confronto com a OTAN.
O que seria a “muralha de drones”
Segundo von der Leyen, a iniciativa não prevê um muro físico, mas um sistema de monitoramento aéreo integrado, capaz de detectar, rastrear e neutralizar drones invasores em tempo real. A estratégia incluiria desde tecnologias de bloqueio de sinais até o uso de armas a laser — opção considerada mais barata do que mísseis tradicionais, que podem custar milhões de dólares.
A Alemanha já discute mudar sua legislação de segurança aérea para permitir que militares derrubem drones quando a polícia não conseguir fazê-lo. Atualmente, a lei só autoriza uso de interferência por rádio ou redes para capturar aeronaves não tripuladas.
Desafios técnicos e políticos
Apesar do interesse, ainda não há cronograma ou detalhes sobre a implantação do sistema. Especialistas apontam que o projeto deve aproveitar a experiência da Ucrânia, que desenvolveu técnicas avançadas de detecção e neutralização de UAVs durante a guerra contra a Rússia.
Mas há desafios: lasers têm alcance limitado e funcionam mal em mau tempo, e o custo de manutenção de um sistema integrado continental seria alto. Além disso, líderes alertam contra a possibilidade de “histeria coletiva”, lembrando casos recentes em que avistamentos de drones geraram pânico sem provas concretas de ameaça.
Além da segurança aérea
A reunião de Copenhague também tratou de outra pauta sensível: a possibilidade de confiscar ativos russos congelados na Europa para financiar um empréstimo bilionário à Ucrânia. O plano, no entanto, levanta preocupações de que investidores retirem recursos do continente com medo de novas apreensões arbitrárias.
Conclusão
A “muralha de drones” é, por enquanto, mais conceito do que realidade. Mas o aumento de incidentes reforça a percepção de que a segurança aérea europeia precisa se modernizar rapidamente. Entre cautela diplomática e pressão militar, a UE enfrenta o dilema de se proteger sem escalar ainda mais a tensão com Moscou.