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Ciência

Cientistas descobrem que o cérebro “desperta” durante os sonhos — e que a mente nunca dorme completamente

Uma pesquisa internacional revelou que o cérebro humano permanece mais ativo do que se imaginava enquanto dormimos. O estudo mostrou que os sonhos não ocorrem apenas durante o sono REM, como se acreditava, mas em diferentes fases do descanso — inclusive nas mais profundas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O trabalho, publicado na revista Nature, desafia décadas de conhecimento sobre o sono e oferece uma nova perspectiva sobre como a consciência funciona quando estamos aparentemente desconectados do mundo.

O cérebro acordado dentro do sonho

Segredo Do Cérebro1
© FreePik

O projeto, coordenado pela Universidade de Monash, na Austrália, reuniu mais de 2.600 registros cerebrais de 505 voluntários de 13 países. A base de dados, batizada de DREAM, é a maior já criada sobre atividade cerebral durante o sono.

Os pesquisadores compararam os padrões elétricos do cérebro em diferentes estágios do descanso e descobriram que, durante o sono NREM — considerado o mais profundo e calmo —, também há ocorrência de sonhos. Nesses momentos, a atividade cerebral se assemelha mais à de uma pessoa acordada do que à de alguém em sono profundo.

Essa “vigília encoberta”, como os cientistas a chamam, redefine as fronteiras entre o sono e a consciência. “Nosso estudo mostra que o sono REM não é necessário nem suficiente para que os sonhos aconteçam”, explicaram os autores no artigo. “O cérebro alterna entre estados distintos de consciência mesmo enquanto dormimos.”

Giulio Bernardi, pesquisador do IMT School for Advanced Studies em Lucca, Itália, destacou o caráter inédito do trabalho: “Este estudo reúne décadas de pesquisa sobre os sonhos em um único conjunto de dados consistente e verificável.”

Inteligência artificial e a ciência dos sonhos

Graças ao volume e à diversidade dos registros, os cientistas conseguiram aplicar algoritmos de inteligência artificial para prever quando uma pessoa está sonhando — sem depender de relatos subjetivos.

Essa abordagem inaugura uma nova era na neurociência do sono: é possível identificar os momentos em que o cérebro “acende” durante o descanso com base apenas em sinais elétricos. Para a comunidade médica, isso representa um avanço promissor em diagnósticos de distúrbios como o sonambulismo ou as parasomnias, condições em que o corpo se move ou reage como se estivesse desperto enquanto o cérebro ainda dorme.

O método também tem implicações para o estudo da consciência. Se for possível detectar com precisão quando a mente desperta dentro do sono, os pesquisadores poderão compreender melhor como surgem as experiências subjetivas — e o que distingue a consciência plena de seus estados intermediários.

Um novo mapa da consciência

A base DREAM compila dados de mais de 20 estudos independentes e reduz os vieses comuns em experimentos isolados. Ao integrar registros de diferentes laboratórios, o projeto criou uma ferramenta poderosa para investigar o que acontece na mente quando ela se “desconecta” do mundo exterior.

Os autores afirmam que o banco de dados será essencial para áreas como psicologia cognitiva, neurologia clínica e estudos da consciência. “DREAM representa um passo decisivo na exploração científica da mente humana”, enfatizou Bernardi.

Segundo os pesquisadores, compreender como o cérebro alterna entre estados de sono e vigília pode ajudar a identificar precocemente patologias neurológicas e até inspirar novas formas de investigar o pensamento e a percepção.

Quando o sonho se torna ciência

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© Unsplash – Iam_Os

A descoberta de que o cérebro nunca repousa totalmente reforça uma ideia intrigante: parte de nós continua desperta, mesmo durante o sono profundo. A equipe espera que futuras pesquisas, aliadas a tecnologias mais sensíveis de registro cerebral, permitam mapear com exatidão quando e como a consciência se acende dentro do cérebro adormecido.

Mais do que uma curiosidade científica, essa linha de estudo pode revolucionar a compreensão sobre o que significa estar consciente — e revelar que o sonho é, talvez, apenas outra forma de vigília.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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