A ideia de trazer de volta à vida espécies extintas há séculos parecia coisa de ficção científica. Mas empresas como a Colossal Biosciences estão transformando esse conceito em realidade. Após criar animais com traços de mamute e reviver o lendário lobo-terrível, a empresa anunciou um projeto ambicioso: recriar a moa gigante, ave que podia ultrapassar três metros de altura e que desapareceu da Nova Zelândia há cerca de 600 anos.
O retorno da ave gigante
De-extinction Company Claims It Will Bring Back Giant Ice Age Moa Bird https://t.co/cnrtsUCaJr pic.twitter.com/1igiWrkAeL
— Greek Reporter (@GreekReporter) July 10, 2025
A moa gigante é considerada a ave mais alta que já habitou a Terra. Com mais de 3 metros de altura e completamente sem asas, o animal vivia na Nova Zelândia, onde se alimentava de vegetação nativa. A espécie foi extinta pouco tempo após a chegada dos humanos ao território, por volta do século XV, principalmente devido à caça.
Agora, a Colossal Biosciences, com sede no Texas (EUA), afirma que pode trazê-la de volta. A empresa anunciou que recebeu um investimento superior a US$ 15 milhões (quase R$ 83 milhões) para o projeto. Entre os financiadores está o cineasta Peter Jackson, diretor de O Senhor dos Anéis e colecionador de fósseis de moa.
Como o projeto será realizado?
Segundo a Colossal, a recriação da moa será feita por meio da análise genética de fósseis. Os cientistas vão extrair e estudar o DNA da ave extinta para então editar geneticamente espécies ainda vivas e próximas da moa — como a ema — e transformá-las, gradualmente, em versões geneticamente compatíveis com a espécie original.
Essas aves modificadas seriam incubadas em laboratório e, depois, soltas em áreas de “renaturalização” fechadas, ou seja, ambientes controlados com vegetação nativa. A estimativa da empresa é de que a moa possa voltar a caminhar pela Nova Zelândia dentro de 5 a 10 anos. O projeto tem parceria com o Centro de Pesquisa Ngāi Tahu da Universidade de Canterbury.
Polêmicas e dúvidas sobre a desextinção
Apesar do entusiasmo, o projeto não é unânime entre cientistas. O ecologista Stuart Pimm, da Universidade Duke, alerta para riscos ecológicos e dificuldades técnicas. “É realmente possível reintroduzir um animal à natureza após sua extinção?”, questiona. “Este será um animal de grande porte e comportamento imprevisível.”
Há ainda críticas de ordem ética. Muitos especialistas temem que iniciativas como essa desviem recursos e atenção de ações mais urgentes: a proteção de espécies atualmente ameaçadas. A Nova Zelândia, por exemplo, ainda enfrenta perda de biodiversidade causada por espécies invasoras e destruição de habitats naturais.
Mesmo assim, o projeto despertou grande interesse entre acadêmicos e na população local. O arqueólogo maori Kyle Davis afirmou que a parceria com a Colossal reacendeu o debate sobre a história ancestral e as tradições do povo maori, que conviveu com as moas antes de sua extinção. Em sítios arqueológicos como o de Pyramid Valley, há pinturas rupestres que retratam essas aves.
Animais extintos voltando à vida?
Este não é o primeiro projeto ousado da Colossal. Em abril deste ano, a empresa anunciou que teria conseguido realizar a “desextinção” do dire wolf — conhecido como lobo-terrível —, a partir do genoma reconstruído com fósseis de até 72 mil anos.
Três filhotes nasceram entre outubro de 2024 e janeiro de 2025. Batizados de Rômulo, Remo e Khaleesi, eles foram apresentados ao público apenas meses depois. Além disso, em março, a empresa revelou a criação de camundongos geneticamente modificados com pelos semelhantes aos dos mamutes-lanosos.
Avanço científico ou risco biológico?
A desextinção de espécies desperta tanto fascínio quanto preocupação. De um lado, há o avanço tecnológico que permite desafiar os limites da biologia. De outro, há dúvidas sobre o impacto ecológico de reintroduzir animais extintos em ecossistemas já transformados — e, muitas vezes, fragilizados.
O retorno da moa gigante pode marcar um novo capítulo na história da ciência — ou um alerta sobre até onde devemos ir. A resposta, talvez, esteja nos próximos passos desse ambicioso projeto.
[ Fonte: G1.Globo ]