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CNH sem autoescola: especialistas alertam para riscos à segurança e lacunas na nova resolução do Contran

A nova resolução do Contran, que permite obter a CNH sem autoescola e reduz drasticamente as aulas práticas, gerou preocupação entre especialistas. Para gestores de trânsito, faltam diretrizes claras sobre fiscalização, qualificação de instrutores e padronização dos veículos de aprendizagem — pontos que podem comprometer a segurança viária.
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Tempo de leitura: 3 minutos

 A flexibilização do processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, aprovada pelo Contran, reacendeu o debate sobre segurança no trânsito e formação de novos motoristas no Brasil. O modelo, apelidado de “CNH sem autoescola”, permite estudo autônomo, aulas online e reduz o mínimo obrigatório de prática. Embora o governo argumente que o foco deve ser a avaliação final, especialistas afirmam que a mudança cria incertezas operacionais e riscos jurídicos.

O que muda com a CNH sem autoescola

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© YouTube

A resolução aprovada permite que candidatos estudem teoria por conta própria ou em plataformas digitais. Também reduz as aulas práticas obrigatórias de 20 horas para apenas 2 horas, dispensando a participação nos Centros de Formação de Condutores (CFCs). Agora, o aluno pode contratar instrutores independentes para aprender a dirigir.

Para o vice-presidente do Detran-SC, coronel Ricardo Silva, embora a intenção do Ministério dos Transportes seja reduzir custos, a medida altera de forma profunda a estrutura de formação de condutores sem garantir mecanismos equivalentes de segurança.

Riscos jurídicos e impacto na formação

Silva alerta que a retirada da obrigatoriedade das aulas presenciais pode comprometer o domínio da legislação de trânsito. Sem acompanhamento técnico adequado, a prova teórica se torna o principal — e muitas vezes único — filtro de avaliação.

Entre os pontos levantados por ele estão:

  • insegurança jurídica sobre a atuação e credenciamento de instrutores autônomos

  • falta de clareza sobre a validade dos exames

  • ausência de diretrizes para fiscalização

  • possível desinteresse dos novos motoristas em aprender a legislação

Segundo Silva, até que se estabeleçam padrões robustos de qualificação, haverá um “prejuízo inevitável na formação dos condutores”.

A defesa do governo: foco na avaliação, não nas aulas

O Ministério dos Transportes sustenta que o modelo está alinhado a padrões internacionais e que a qualidade da formação depende menos do número de aulas e mais da eficácia da prova final.

“O que garante a aptidão é a avaliação”, disse o ministro Renan Filho. Ele citou países como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, onde o sistema privilegia a capacidade demonstrada no exame, não a carga horária obrigatória.

Especialistas, porém, contestam a comparação, lembrando que o Brasil possui realidades sociais, urbanas e culturais muito diferentes desses países.

Especialistas apontam pressa e falhas de discussão

Para Carlos Elias — o professor Carlão, do canal Manual do Trânsito — a resolução foi aprovada com rapidez excessiva.

Ele afirma que:

  • a proposta deveria ter sido analisada por câmaras temáticas especializadas

  • o Brasil tem histórico de mudanças no trânsito feitas sem base técnica

  • faltam estudos aprofundados sobre o impacto da flexibilização

A ausência de um debate técnico robusto pode, segundo ele, resultar em incoerências regulatórias.

Lacunas operacionais: veículos, fiscalização e instrutores

Outro ponto crítico é a falta de padronização dos veículos de aprendizagem. A resolução não define:

  • necessidade de duplo comando, atualmente obrigatório em carros de autoescola

  • regras sobre câmbio automático

  • critérios de segurança para instrutores independentes

  • protocolos de fiscalização por parte dos órgãos estaduais

Para o Detran-SC, isso cria um cenário em que instrutores podem atuar sem parâmetros técnicos uniformes, fragilizando o controle de qualidade.

Democratização da habilitação — e incertezas

Carlos Elias reconhece, porém, que o novo modelo pode facilitar a regularização de quem já dirige sem habilitação. Ele estima que 50% a 60% dos candidatos com alguma prática prévia podem concluir o processo mais rapidamente.

Ainda assim, ele pondera: “As consequências reais só aparecerão com o tempo”.

Comparação internacional sob crítica

A defesa do governo cita países desenvolvidos como referência, mas especialistas lembram que o trânsito brasileiro enfrenta desafios muito distintos, incluindo:

  • índices mais altos de acidentes

  • menor formação cidadã voltada ao trânsito

  • disparidades regionais na infraestrutura viária

Assim, a simples transposição de modelos estrangeiros pode ignorar variáveis essenciais para a realidade do Brasil.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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