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Tecnologia

Como os investimentos em IA colocaram a Oracle sob pressão no mercado

Uma grande empresa de tecnologia apostou pesado em infraestrutura de inteligência artificial esperando colher crescimento acelerado. O problema é que atrasos, dívidas crescentes e resultados abaixo do esperado transformaram a estratégia em um motivo de preocupação no mercado, reacendendo fantasmas de crises passadas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante meses, a narrativa era clara: a inteligência artificial seria o motor de uma nova fase de expansão. No entanto, o mercado financeiro começou a reagir de forma bem diferente. Após um período de euforia, investidores passaram a questionar o custo, o ritmo e os riscos de uma aposta que exige bilhões antes de mostrar retorno concreto.

Um trimestre que não se via há mais de duas décadas

As ações da Oracle atravessaram o pior trimestre desde 2001, ano marcado pelo colapso da bolha das empresas ponto-com. Depois de atingirem um pico em setembro, os papéis acumularam uma queda próxima de 30%, segundo dados acompanhados por analistas do mercado financeiro.

O movimento ocorreu apesar do discurso consistente da empresa de que a inteligência artificial será decisiva para seu crescimento futuro. A correção foi tão intensa que só recentemente os preços começaram a se estabilizar, após a maior retração em mais de vinte anos.

A promessa da IA e o entusiasmo inicial

O otimismo ganhou força quando a Oracle anunciou novos projetos de grandes centros de dados ligados à OpenAI. Esses anúncios impulsionaram as ações a máximas históricas, alimentando a expectativa de que a empresa se tornaria uma das principais fornecedoras de infraestrutura para a nova geração de aplicações de IA.

O plano envolvia a participação no ambicioso projeto Stargate, que prevê quase 7 gigawatts de capacidade instalada e investimentos superiores a 400 bilhões de dólares ao longo de três anos. A Oracle ficaria responsável por desenvolver parte relevante dessa infraestrutura.

Atrasos, custos e a virada de humor do mercado

O clima mudou quando surgiram informações de que alguns desses projetos seriam adiados por pelo menos um ano, em razão da escassez de mão de obra especializada e de materiais. A notícia foi suficiente para abalar a confiança dos investidores, que já observavam com cautela o aumento expressivo dos gastos de capital.

O relatório financeiro mais recente também decepcionou. As receitas ficaram abaixo do esperado e os investimentos em ativos de longo prazo cresceram de forma agressiva, pressionando o fluxo de caixa e aumentando a percepção de risco.

Dívida maior e metas ambiciosas em xeque

Para sustentar essa expansão, a Oracle anunciou que pretende gastar cerca de 50 bilhões de dólares em capital no ano fiscal de 2026 — quase o dobro do valor investido no ano anterior. Parte desse montante foi financiada por meio da emissão de 18 bilhões de dólares em títulos, elevando significativamente o nível de endividamento.

Ao mesmo tempo, a empresa mantém projeções extremamente ambiciosas: alcançar 225 bilhões de dólares em receita anual até 2030, frente aos 57 bilhões registrados em 2025. Grande parte desse salto depende diretamente do sucesso da infraestrutura de IA.

Um risco calculado que ficou mais caro

Enquanto isso, o negócio tradicional de software também dá sinais de pressão, com queda de 3% nas receitas trimestrais. O cenário reforça a sensação de que a aposta na IA é estratégica, mas arriscada.

A Oracle segue confiante de que os investimentos trarão retorno no longo prazo. Porém, atrasos, dívida crescente e a inquietação dos investidores transformaram uma promessa de crescimento em um teste de paciência — e de credibilidade — para o mercado.

Fonte: Gizmodo ES

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