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Como será viver em 2065? Uma pesquisa revela um futuro que poucos imaginavam — e ele não parece animador

Uma pesquisa com milhares de pessoas revela como elas enxergam o futuro nas próximas décadas. As expectativas surpreendem — e mostram uma visão bem diferente do que muitos esperavam.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Pensar no futuro sempre teve algo de fascinante. Durante décadas, ele foi associado a progresso, conforto e novas oportunidades. Mas essa imagem parece estar mudando. Uma pesquisa recente oferece um retrato curioso — e inquietante — de como muitas pessoas enxergam as próximas décadas. Mais do que previsões tecnológicas, o que aparece é uma mudança de percepção: o futuro já não é necessariamente um lugar melhor, e sim um território cheio de dúvidas.

Um futuro onde estabilidade pode se tornar exceção

Quando as pessoas são convidadas a imaginar sua vida daqui a 40 anos, a primeira preocupação que surge não é tecnologia — é custo de vida. A percepção geral é de que viver será muito mais caro, exigindo níveis de renda que hoje parecem quase inalcançáveis.

Segundo os dados levantados, muitos acreditam que manter um padrão de vida básico exigirá um salto gigantesco nos ganhos familiares. Ainda assim, essa renda maior não necessariamente significaria segurança. Pelo contrário, a sensação predominante é de instabilidade constante.

Esse cenário afeta diretamente um dos maiores símbolos de estabilidade tradicional: a casa própria. Para uma parcela significativa dos entrevistados, comprar um imóvel no futuro não será apenas difícil — pode simplesmente deixar de ser uma possibilidade real.

Hoje, já há uma distância crescente entre renda e acesso à moradia. No imaginário coletivo projetado para 2065, essa distância se amplia ainda mais. Muitos acreditam que viver de aluguel será a regra, não a exceção.

E essa mudança não é vista apenas como uma adaptação econômica, mas como um sinal de transformação social mais profunda. A ideia de construir patrimônio ao longo da vida, que marcou gerações anteriores, começa a perder força como referência de sucesso.

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© AndreyС – Pixabay

A aposentadoria deixa de ser um plano garantido

Outro ponto que chama atenção é a forma como o futuro do trabalho e da aposentadoria é percebido. Durante muito tempo, a ideia de trabalhar por décadas para depois desfrutar de um período de descanso foi quase universal.

Agora, essa lógica parece cada vez mais distante.

Uma parcela relevante dos entrevistados acredita que se aposentar com segurança financeira será extremamente difícil — ou até impossível. Para alcançar esse objetivo, estimativas apontam para valores que fogem completamente da realidade da maioria das pessoas.

O dado mais revelador, no entanto, não está nos números, mas na percepção geracional. Os mais jovens demonstram um nível de ceticismo ainda maior. Muitos simplesmente não consideram a aposentadoria como algo viável no futuro.

Essa mudança de mentalidade indica algo importante: não se trata apenas de preocupação econômica, mas de uma quebra na expectativa de continuidade. A ideia de que cada geração viverá melhor do que a anterior — um conceito que sustentou décadas de crescimento — começa a ser questionada.

Tecnologia em toda parte, mas sem garantias de qualidade de vida

Se há um ponto onde existe consenso, é na presença massiva da tecnologia. O futuro projetado é altamente digital, automatizado e conectado.

Muitos acreditam que o dinheiro físico desaparecerá, substituído por sistemas digitais ou até biométricos. Casas inteligentes, assistentes baseados em inteligência artificial e dispositivos de monitoramento de saúde integrados ao corpo também aparecem como elementos comuns do cotidiano.

No trabalho, a expectativa é de jornadas mais curtas, possivelmente concentradas em menos dias da semana. À primeira vista, isso poderia parecer um avanço. Mas a percepção geral é mais ambígua.

Para muitos, essa redução não representa necessariamente mais qualidade de vida, mas uma adaptação a um mercado de trabalho em transformação constante, onde estabilidade e previsibilidade deixam de ser garantidas.

O resultado é um contraste curioso: um mundo mais avançado tecnologicamente, mas não necessariamente mais confortável ou acessível.

No fim das contas, o retrato que emerge não é o de um futuro catastrófico, mas de um cenário incerto. Um lugar onde avanços convivem com inseguranças — e onde o maior desafio talvez não seja inovar, mas garantir que essas mudanças realmente melhorem a vida das pessoas.

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