Golpes no WhatsApp, como ofertas falsas de emprego e cobranças indevidas, são comuns e geralmente deixam as vítimas sem saber quem está por trás das ameaças. No entanto, um programador decidiu reagir de forma inusitada após ser ameaçado por um criminoso. Ele criou uma ferramenta para rastrear a localização do golpista e, ao fazer isso, acabou revelando informações surpreendentes.
O Contragolpe Criado pelo Programador
Após receber ameaças de um golpista, que dizia que ele devia dinheiro para uma facção criminosa e que iria cobrar a dívida pessoalmente, o programador decidiu dar um contragolpe. Ele criou um site com um link que enviou ao golpista, alegando que era um comprovante de pagamento. O criminoso, sem perceber, clicou no link e deu permissão para o site acessar sua localização.
O programador então obteve a localização do golpista, que estava em uma penitenciária em Osório, no Rio Grande do Sul, a mais de 1.000 km de distância da vítima, que mora no Rio de Janeiro. Esse rastreamento confirmou o que muitas vezes era considerado apenas um rumor: que golpistas frequentemente operam de dentro de prisões.

A Repercussão do Projeto e o Impacto nas Redes Sociais
O programador, Pedro Bessa, criou essa ferramenta no final de 2024, mas foi apenas recentemente que ele compartilhou seu projeto no LinkedIn. A postagem viralizou, alcançando quase 60 mil curtidas e gerando inúmeros comentários de pessoas que também haviam sido vítimas de golpes semelhantes. Muitos pediram ajuda e orientação para lidar com essas fraudes.
Pedro relatou que a repercussão revelou um problema comum entre as pessoas. Muitos expressaram frustração com as tentativas de golpes no WhatsApp e pediram mais informações sobre como combater essas fraudes.
Aspectos Legais e a Ética da Ferramenta
Embora a ferramenta criada por Pedro não seja ilegal, ela não está disponível para o público geral. O código foi publicado no GitHub, uma plataforma para desenvolvedores, e tem acesso restrito. O objetivo de Pedro não é lucrar com isso, mas sim se defender dos golpistas.
Especialistas em privacidade, como Rafael Zanatta, afirmam que a ferramenta, no modelo atual, não representa um crime, já que foi criada como uma forma de legítima defesa. No entanto, se alguém tentasse comercializar a ferramenta ou usá-la para rastrear pessoas sem consentimento, isso poderia violar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), já que envolve o tratamento de dados pessoais sem uma base legal adequada.
A Defesa de Quem Está Sendo Vítima
Embora a ferramenta tenha sido desenvolvida para expor golpistas, ela também levanta questões sobre privacidade e o uso de dados pessoais. O programador conseguiu uma pequena vitória ao expor a localização do golpista, mas é importante refletir sobre os limites da tecnologia e a responsabilidade em usá-la de forma ética.
Fonte: Globo