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Ciência

Crânios antigos revelam rituais neolíticos enigmáticos no sul da Itália

Um fascinante depósito de crânios humanos, datado de mais de 7.500 anos, foi descoberto na região da Apúlia, na Itália. O achado revela práticas rituais incomuns e oferece uma nova perspectiva sobre a relação das comunidades neolíticas com seus ancestrais e tradições espirituais.
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Tempo de leitura: 2 minutos

No coração de Masseria Candelaro, um assentamento do Neolítico, arqueólogos desenterraram fragmentos de crânios e mandíbulas de pelo menos 15 indivíduos. Esses restos foram cuidadosamente manipulados e preservados, testemunhando um ritual que atravessou séculos.

Um depósito ritual que perdurou gerações

O local de Masseria Candelaro, habitado inicialmente no sexto milênio a.C., passou de um espaço doméstico para um centro de práticas cerimoniais. Na Estrutura Q, os crânios foram acumulados ao longo de dois séculos, simbolizando rituais que marcaram seis a oito gerações.

Segundo a pesquisadora Jess Thompson, os restos mostram sinais de manipulação ritual após a decomposição do tecido mole, mas não indicam violência peri-morte. Isso reforça a hipótese de que os crânios desempenharam um papel espiritual e comunitário, sendo exibidos ou passados entre os membros da aldeia antes de serem enterrados definitivamente.

Os resultados da análise isotópica indicam que os indivíduos eram originários da própria região, descartando a hipótese de pertencerem a grupos externos.

Uma ligação espiritual com os ancestrais

O uso de restos humanos em práticas rituais era comum no Neolítico, mas o achado em Masseria Candelaro se destaca pela quantidade de crânios e pelo tempo de prática ritual. Outros sítios próximos, como a Caverna Scaloria e Passo di Corvo, também registraram manipulações de ossos humanos, mas não com a mesma complexidade.

Os crânios não eram apenas relíquias funerárias; eles simbolizavam conexões espirituais e políticas. Nas culturas neolíticas, restos humanos frequentemente representavam poder e legitimidade. Esse depósito pode ter servido para consolidar memórias coletivas ou validar linhagens de líderes e famílias.

“Nem todos os mortos se tornam ancestrais”, destaca o estudo publicado no European Journal of Archaeology. Os rituais específicos transformavam esses restos em símbolos sociais de grande significado.

O fim de um ciclo

No estágio final da Estrutura Q, os crânios foram enterrados em uma camada superior, marcando o encerramento do ciclo ritual. Esse ato de “despedida” pode ter refletido mudanças nas tradições ou a transição para novas práticas sociais.

Com o passar do tempo, os assentamentos evoluíram, e os rituais relacionados a restos humanos tomaram outras formas. Ainda assim, a descoberta em Masseria Candelaro lança luz sobre a rica simbologia e espiritualidade das comunidades neolíticas.

Um vislumbre do passado

O depósito de crânios em Masseria Candelaro oferece uma janela para compreender como essas sociedades percebiam seus mortos e ancestrais. Mais do que vestígios materiais, esses restos revelam um universo de significados espirituais, onde os ancestrais eram integrados à vida cotidiana.

Esse achado reforça a complexidade das práticas culturais neolíticas e destaca a importância de explorar as raízes simbólicas das civilizações antigas.

 

Fonte: Infobae

 

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