Quando falamos de felicidade na infância, fatores como saúde, educação e estabilidade emocional fazem toda a diferença. Mas quais países realmente priorizam o bem-estar infantil em suas políticas e na vida cotidiana? Um novo estudo da UNICEF traz essa resposta, revelando um modelo de sucesso que pode inspirar outras nações — inclusive o Brasil — a repensar suas estratégias para garantir uma infância mais saudável e plena.
Holanda lidera o ranking de bem-estar infantil
Segundo o relatório Child Well-being in an Unpredictable World, da UNICEF, a Holanda é o país com os melhores indicadores de bem-estar infantil entre 39 nações de alta renda. O destaque vai para a satisfação com a vida, saúde mental e desenvolvimento educacional de crianças e adolescentes. Cerca de 87% dos jovens holandeses de 15 anos afirmam estar satisfeitos com sua vida — um número bem acima da média global, que gira em torno de 70%.
Apesar de uma leve queda desde o último relatório (quando esse índice era de 90%), a Holanda ainda lidera o ranking com folga. O país também apresenta baixos níveis de sintomas emocionais negativos e altos índices de apoio social entre os jovens.
Os pilares do sucesso holandês
Diversos fatores contribuem para o alto nível de bem-estar das crianças na Holanda. Entre os principais, estão:
- Autonomia infantil: A cultura valoriza o diálogo entre pais e filhos, permitindo que os jovens participem ativamente das decisões familiares.
- Educação voltada ao bem-estar: O sistema educacional inclui desenvolvimento emocional, habilidades sociais e participação dos alunos, além do desempenho acadêmico.
- Acesso a serviços públicos: Saúde mental gratuita, programas de prevenção e atividades recreativas acessíveis são parte da rotina das famílias.
- Políticas redistributivas: Ainda que haja desigualdade, o sistema holandês atenua os efeitos da pobreza infantil, promovendo mais igualdade de oportunidades.
Desafios e impactos pós-pandemia
O relatório também mostra os efeitos da pandemia sobre o bem-estar infantil. Globalmente, a satisfação das crianças com a vida caiu de 75% para 70%. Na Holanda, a queda foi menos intensa, mas houve aumento de casos de sobrepeso e uma leve redução na resiliência emocional dos adolescentes.

Desigualdades ainda preocupam
Mesmo com os bons resultados, a Holanda não está livre de desafios. Crianças em situação de pobreza ou acolhimento institucional apresentam níveis mais baixos de bem-estar. Esse padrão se repete em outros países ricos, como Alemanha e Suécia, onde a desigualdade interna afeta parte da população infantil.
O que o mundo pode aprender com esse modelo
A UNICEF recomenda investimentos maiores em saúde mental, redução das desigualdades sociais e escuta ativa de crianças e adolescentes em decisões que impactam suas vidas. Com a crise climática, a inflação e possíveis novas pandemias no horizonte, garantir o bem-estar infantil exige ação coordenada e contínua — e a Holanda mostra que isso é possível.