Quando três astronautas da NASA deram a volta na Lua pela primeira vez, em 1968, o mundo acompanhava uma disputa histórica entre Estados Unidos e União Soviética. A missão Apollo 8 foi um momento decisivo da corrida espacial que culminaria, meses depois, no primeiro pouso humano no satélite natural da Terra. Agora, mais de 60 anos depois, a NASA prepara um novo capítulo dessa história com a missão Artemis II — mas o cenário geopolítico e tecnológico da exploração espacial é muito diferente.
O voo histórico que abriu caminho para a chegada à Lua
The liftoff of Apollo 8 filmed on 65mm film
Apollo 8 (December 21–27, 1968)https://t.co/5UCzXAwc9K pic.twitter.com/FyfQRbGtqP— Zlatko NO DM 🤚❌🚫 (@Vistandcompany) February 7, 2026
A missão Apollo 8 entrou para a história em dezembro de 1968. Foi a primeira vez que seres humanos deixaram a órbita da Terra, viajaram até a Lua e a circundaram antes de retornar ao planeta.
A tripulação era composta pelos astronautas Frank Borman, James Lovell e William Anders.
Durante dez órbitas ao redor da Lua, eles capturaram uma das fotografias mais icônicas da história da exploração espacial: a famosa imagem “Earthrise”, mostrando a Terra surgindo no horizonte lunar.
A missão teve um enorme impacto simbólico e científico. Além de provar que era possível viajar até a Lua e retornar com segurança, também reforçou a liderança dos Estados Unidos na corrida espacial da época.
Menos de um ano depois, a missão Apollo 11 levaria os primeiros humanos a caminhar na superfície lunar.
Artemis II: o retorno das viagens tripuladas ao redor da Lua
Agora a NASA prepara a missão Artemis II, que pretende repetir um feito semelhante ao de Apollo 8.
A missão deve levar quatro astronautas a bordo da nave Orion spacecraft para realizar um voo ao redor da Lua antes de retornar à Terra.
O lançamento ocorrerá com o foguete Space Launch System, o veículo mais poderoso já desenvolvido pela NASA.
Diferentemente da missão Artemis I, realizada em 2022 sem tripulação, Artemis II será o primeiro voo tripulado do programa Artemis. O objetivo é testar todos os sistemas da nave em condições reais antes de futuras missões que deverão pousar novamente astronautas na superfície lunar.
Se tudo correr conforme planejado, a missão servirá como preparação direta para Artemis III, que pretende levar humanos de volta à Lua pela primeira vez desde 1972.
Uma nova corrida espacial com novos protagonistas

Apesar das semelhanças técnicas entre Apollo 8 e Artemis II, o contexto histórico mudou profundamente.
Durante os anos 1960, a exploração lunar fazia parte de uma disputa ideológica entre Estados Unidos e União Soviética, em plena Guerra Fria.
Hoje, o cenário é mais complexo. A Rússia já não ocupa o mesmo papel na exploração lunar, enquanto novas potências espaciais emergem.
Entre elas, destaca-se a China National Space Administration, que desenvolve rapidamente seu próprio programa lunar.
A China já enviou diversas missões robóticas bem-sucedidas à Lua e planeja levar astronautas ao satélite ainda na próxima década. Esse avanço transformou a exploração lunar em uma nova corrida tecnológica e estratégica.
A Lua volta a ser prioridade para a humanidade

O interesse renovado pela Lua não está ligado apenas ao prestígio político. Cientistas e agências espaciais veem o satélite como um ponto estratégico para futuras missões mais ambiciosas.
A Lua pode servir como base para missões tripuladas a Marte, além de oferecer recursos naturais que poderiam ser explorados no futuro, como gelo de água presente em crateras permanentemente sombreadas.
Além disso, diversos países e empresas privadas estão se envolvendo na nova fase da exploração espacial, tornando o cenário muito mais diverso do que na era Apollo.
Mais de seis décadas depois do voo histórico de Apollo 8, a humanidade está prestes a repetir a viagem ao redor da Lua. Mas, desta vez, não se trata apenas de vencer uma corrida política — e sim de abrir caminho para uma presença humana permanente além da Terra.