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Tecnologia

DeepSeek proibida na Microsoft: dados, censura e riscos geopolíticos em jogo

Preocupações com espionagem, censura e controle de dados levaram a Microsoft a vetar o uso do DeepSeek. A decisão revela tensões cada vez mais intensas entre tecnologia, segurança e geopolítica global.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Em meio à corrida global pela liderança em inteligência artificial, uma decisão da Microsoft chamou atenção: a gigante americana proibiu seus funcionários de usarem o DeepSeek, um dos modelos de linguagem mais avançados da China. O motivo? Segurança de dados, riscos geopolíticos e suspeitas de censura controlada por Pequim.

Um veto com sinal geopolítico claro

O presidente da Microsoft, Brad Smith, confirmou a decisão durante uma audiência no Senado dos EUA. Segundo ele, o uso do DeepSeek representa um risco à segurança da informação, já que os dados processados pela aplicação são armazenados em servidores chineses — o que poderia facilitar o acesso por parte de agências de inteligência do governo chinês.

Além do veto interno, a Microsoft também removeu o DeepSeek da loja oficial do Windows, reforçando sua postura de distanciamento em relação à tecnologia. A decisão, embora interna, sinaliza uma possível tendência entre outras empresas ocidentais.

Deepseek Proibida Na Microsoft (2)
© Microsoft

Censura embutida e riscos ocultos

Outro ponto de preocupação apontado por especialistas da Microsoft é o comportamento do DeepSeek em relação a temas considerados “sensíveis” pelo regime chinês. A IA evita responder a questões sobre direitos humanos, democracia e eventos históricos como o massacre da Praça da Paz Celestial. Para a Microsoft, isso evidencia um sistema com censura estruturada e alinhado ideologicamente ao governo de origem.

Mesmo assim, a Microsoft continua hospedando o modelo “R1” do DeepSeek em sua nuvem Azure, com a ressalva de que ele é de código aberto e não envia dados para servidores chineses. Ainda assim, há receios de que o modelo possa conter funções ocultas ou brechas de segurança.

Código alterado e acesso restrito

Para minimizar os riscos, a própria Microsoft fez alterações técnicas no código do DeepSeek antes de permitir seu uso no Azure. De acordo com Brad Smith, engenheiros da empresa ajustaram o modelo para remover possíveis comportamentos nocivos e realizaram testes de segurança antes da liberação.

A medida demonstra uma postura híbrida: embora a aplicação original tenha sido banida, a base do modelo pode ser usada — desde que sob vigilância e controle. O recado é claro: a confiança em tecnologias de origem chinesa exige camadas extras de cautela, especialmente em tempos de crescente tensão entre potências.

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