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Ciência

Dentes que voltam a nascer: ficção ou realidade bem próxima?

Perder um dente sempre foi definitivo — mas isso pode acabar antes de 2035. Pesquisadores do Reino Unido, Japão e Estados Unidos estão disputando quem conseguirá fazer nascer novos dentes humanos, seja em laboratório ou diretamente na boca do paciente. Se der certo, próteses e implantes podem se tornar coisa do passado.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O que já foi visto como fantasia médica está perto de se tornar realidade. Em vários países, equipes de pesquisa trabalham para regenerar dentes humanos usando células vivas, biomateriais e até medicamentos experimentais. A ideia é simples e revolucionária: fazer o próprio corpo reconstruir aquilo que perdeu. O que antes parecia impossível agora tem data possível — a odontologia pode mudar para sempre na próxima década.

O sonho de fazer nascer um novo dente

A doutora Ana Angelova Volponi, do King’s College London, dedica quase 20 anos a essa missão. Em 2013, ela criou o primeiro “embrião” de dente combinando células humanas e de camundongos. Agora, deu um passo decisivo: desenvolveu um hidrogel capaz de reproduzir o ambiente onde os dentes se formam naturalmente.

Esse material funciona como um andamio molhado, onde células se comunicam, se organizam e começam a construir tecido real. Em apenas oito dias, surgem organoides dentais — estruturas microscópicas com forma e composição de um dente em formação.

Da bancada ao consultório

O próximo desafio é usar apenas células humanas adultas. Se isso for alcançado, dois caminhos estão sendo testados:

  1. Cultivar parte do dente em laboratório e completar o crescimento dentro da boca.

  2. Formar o dente inteiro fora do corpo e implantá-lo cirurgicamente.

Ambas as estratégias têm vantagens enormes: o dente seria vivo, sensível, integrado à mandíbula e sem risco de rejeição. Para o professor Vitor Neves, da Universidade de Sheffield, trata-se do primeiro passo para “industrializar a regeneração dental”.

Dentes Que Voltam A Nascer1
© Aleson Padilha

Japão e Estados Unidos entraram na disputa

No Japão, o pesquisador Katsu Takahashi trabalha em uma abordagem diferente: um medicamento experimental que bloqueia a proteína USAG-1, responsável por impedir o crescimento de novos dentes. O remédio já está em testes clínicos e pode ser aprovado antes de 2030.

Nos EUA, a cientista Pamela Yelick, da Universidade de Tufts, conseguiu cultivar dentes parecidos com os humanos em porcos. Outra equipe, na Universidade de Washington, liderada por Hannele Ruohola-Baker, está usando células-tronco extraídas de dentes do siso para recriar o processo molecular completo da formação dental — sem enxertos, implantes ou doadores.

Uma década decisiva

Os especialistas acreditam que os próximos dez anos serão históricos. Se os resultados continuarem avançando, o primeiro dente humano regenerado poderá ser implantado antes de 2035. Para Volponi e seus colegas, a verdadeira revolução não virá de próteses de última geração, mas da capacidade do corpo de se curar usando suas próprias células.

Quando isso acontecer, perder um dente deixará de ser uma perda permanente — e se tornará apenas o começo do próximo.

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