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Ciência

Descoberto no Atacama, o cometa C/2026 A1 pode raspar o Sol a 800 mil km e, se sobreviver, virar o espetáculo celeste mais brilhante em décadas

Astrônomos no deserto do Atacama identificaram um “sungrazer” da família Kreutz que passará perigosamente perto do Sol em abril de 2026. Se resistir ao calor extremo e à gravidade solar, o C/2026 A1 pode atingir brilho comparável — ou superior — ao da Lua cheia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O ano de 2026 mal começou e a astronomia já entregou um candidato a fenômeno histórico. Observações no deserto do Atacama revelaram o cometa C/2026 A1, um objeto com órbita típica de “rasante solar”. Esses cometas, conhecidos como sungrazers, mergulham em direção ao Sol em trajetórias radicais. A pergunta que mobiliza a comunidade científica é simples: ele vai sobreviver ao periélio?

O achado no deserto mais árido do mundo

Atacama
© Unsplash

O objeto foi identificado em 13 de janeiro no observatório AMACS1, próximo a San Pedro de Atacama, no Chile. A detecção ocorreu no âmbito do programa MAPS, ativo desde 2020 e responsável pela descoberta de diversos cometas e centenas de asteroides próximos à Terra.

Inicialmente, o C/2026 A1 apareceu como uma mancha difusa. Ao revisar bancos de dados, os pesquisadores encontraram “precoveries” — imagens anteriores nas quais o cometa já estava registrado, mas ainda não havia sido reconhecido devido ao brilho fraco.

Um membro da família Kreutz

O que torna o C/2026 A1 especialmente interessante é sua linhagem. Dados do JPL Small-Body Database indicam que ele pertence à família Kreutz, um grupo de fragmentos originados da quebra de um cometa gigante há séculos.

Esses fragmentos incluem alguns dos cometas mais brilhantes já observados. Entre eles, o lendário Ikeya-Seki, de 1965, que se tornou visível a olho nu mesmo durante o dia.

Acredita-se que o C/2026 A1 esteja relacionado ao Grande Cometa de 1106, que se fragmentou e deu origem a múltiplos objetos do mesmo clã.

Uma trajetória extrema

O mistério do cometa que sumiu — e o que a ciência acha que aconteceu depois
© https://x.com/GraceSpaceR

Os números impressionam. O cometa viaja a cerca de 3,2 milhões de quilômetros por hora. Seu periélio — ponto de maior aproximação do Sol — está previsto para 4 de abril de 2026.

Nessa data, ele passará a apenas 0,00547 unidades astronômicas da nossa estrela. Em termos práticos, isso significa cerca de 800 mil quilômetros da superfície solar — praticamente um “raspão” cósmico.

Para um corpo composto de gelo e rocha, essa aproximação representa um teste extremo.

Dois cenários possíveis

A comunidade científica trabalha com dois cenários principais.

O primeiro é a desintegração. Muitos sungrazers menores evaporam antes de completar a curva ao redor do Sol, destruídos pelo calor intenso e pela força gravitacional.

O segundo cenário é mais empolgante: a sobrevivência. Estimativas apontam que o núcleo do C/2026 A1 mede aproximadamente 2,4 quilômetros de diâmetro. Esse tamanho aumenta as chances de resistir à passagem pelo periélio.

Se sobreviver, o cometa pode atingir brilho extraordinário. Algumas projeções sugerem que ele poderia rivalizar com a Lua cheia ou até ser visível durante o dia, próximo ao disco solar — algo raríssimo.

Quando poderemos vê-lo?

Observadores com telescópios devem começar a acompanhá-lo no fim de março de 2026. O momento decisivo será 4 de abril.

Caso resista, o cometa pode desenvolver uma cauda extensa e luminosa, visível a olho nu no início de abril, dependendo das condições de observação e da posição relativa à Terra.

Como todo cometa, porém, há incerteza. Eles são notoriamente imprevisíveis. Podem surpreender — ou desaparecer silenciosamente.

Um evento para ficar de olho

Com um núcleo considerável, origem na família Kreutz e trajetória extremamente próxima ao Sol, o C/2026 A1 reúne ingredientes para entrar nos livros de astronomia.

Se sobreviver, poderá se tornar o cometa mais espetacular visto em décadas. Se não, ainda assim terá oferecido um espetáculo científico — uma janela rara para compreender como esses mensageiros gelados resistem, ou sucumbem, ao fogo da nossa estrela.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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