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Ciência

Detector de mentiras: o que ele realmente consegue descobrir

Polígrafos e outros métodos de análise de comportamento prometem identificar sinais de mentira por meio de reações do corpo. Mas até que ponto essa tecnologia é confiável? Entenda como funciona, onde é usada e o que a ciência realmente diz sobre seus resultados.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Antes restritos a investigações criminais e filmes de espionagem, os detectores de mentira chamam atenção também na vida real. Utilizados por órgãos de inteligência e em avaliações corporativas, esses aparelhos medem reações fisiológicas para tentar identificar inconsistências nas respostas. Porém, especialistas alertam que, apesar do apelo tecnológico, eles estão longe de serem infalíveis.

Como funcionam os polígrafos

Também chamados de polígrafos, os detectores de mentira registram alterações no corpo enquanto o entrevistado responde a perguntas. São avaliadas a frequência cardíaca, o ritmo respiratório, a condutividade elétrica da pele (relacionada ao suor) e, em alguns casos, contrações musculares involuntárias.

O perito Jorge Maria, que já levou o tema ao talk-show Lady Night, explica que mentir exige esforço cognitivo e emocional, gerando sinais físicos perceptíveis. Segundo ele, a precisão do exame pode superar 90% quando conduzido por um profissional qualificado.

Uso no Brasil e no exterior

Nos Estados Unidos, polígrafos são comuns em órgãos como FBI e CIA. No Brasil, seu uso não é regulamentado como prova judicial, mas já ocorreu em investigações criminais, sindicâncias corporativas e casos trabalhistas, sempre com consentimento das partes envolvidas. “Sem autorização, não é possível realizar o teste. Ele é um recurso auxiliar, não uma sentença”, ressalta Jorge.

O que a ciência diz

A professora Sabine Pompeia, da Unifesp, lembra que os polígrafos medem reações ligadas ao estresse e à emoção, não a mentira em si. Pressão arterial elevada, aceleração dos batimentos e suor excessivo também podem aparecer em pessoas que dizem a verdade, mas se sentem nervosas ou ameaçadas.

Por essa razão, a aceitação do polígrafo em tribunais é restrita. “Não existe um marcador fisiológico exclusivo da mentira. A ciência não comprovou que o aparelho determina culpa ou inocência”, afirma.

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© Amelia Fuentes Marin – Getty Images Signature

É possível enganar o teste?

Segundo Jorge, enganar um polígrafo bem aplicado é extremamente difícil, já que o sistema nervoso autônomo reage de forma involuntária. Técnicas de respiração ou medicamentos podem alterar alguns sinais, mas não garantem sucesso. Sabine reforça que, como o aparelho não mede a mentira diretamente, o conceito de “enganar” é relativo.

Novas tecnologias: análise de estresse vocal

Além do polígrafo, Jorge utiliza a análise de estresse vocal (VSA), que detecta micro variações na voz associadas a emoções. O método pode ser aplicado remotamente ou a partir de gravações, sem contato físico. Embora apareça em programas de humor, Jorge garante que a tecnologia é real e tem base científica.

Fonte: Metropoles

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