Na maior feira de tecnologia bancária do Brasil, dois caminhos distintos para o futuro do dinheiro foram apresentados. De um lado, o Drex, moeda digital do Banco Central em fase piloto. Do outro, um sistema radicalmente descentralizado, movido por IA e blockchain. A disputa não é apenas técnica: é sobre como lidaremos com o dinheiro e a confiança nos próximos anos.
Dinheiro que pensa: a visão de um futuro autônomo
Guga Stocco, fundador da RedMind Creative Capital, defendeu um modelo baseado em “dinheiro inteligente”. Em sua visão, estamos prestes a entrar no “Money 3.0”, onde agentes autônomos, sem supervisão humana, executam transações financeiras diretamente no blockchain.
Esses agentes — chatbots com IA — seriam capazes de aplicar investimentos, analisar gastos e realizar negociações em tempo real. O segredo dessa evolução está na convergência entre IA (como cérebro) e blockchain (como estrutura), dispensando intermediários como bancos e corretoras.
Drex: o experimento brasileiro em curso
No outro auditório, representantes do Banco Central e de instituições como Bradesco e Itaú detalharam os avanços do Drex. A moeda digital brasileira já está sendo testada em 13 casos de uso, como crédito automatizado e garantias digitais tokenizadas.
Rogério Lucca, do BC, explicou que o projeto enfrentou desafios técnicos — especialmente em privacidade —, mas avança com foco em crédito programável e ativos tokenizados. A ideia é modernizar o sistema financeiro sem perder o controle regulatório.
O dilema da governança
Enquanto o Drex busca um equilíbrio entre inovação e estabilidade, a proposta de Stocco desafia a ideia de controle. Para ele, o futuro pertence às DAOs — organizações autônomas descentralizadas — que funcionam sem intervenção humana.
O Banco Central, por sua vez, admite que ainda não há uma definição sobre quem governará o Drex, já que se trata de uma plataforma distribuída. Essa indefinição mostra o conflito entre descentralização total e supervisão institucional.
Quem ganha com a transformação?
Para Stocco, o novo sistema beneficiaria o usuário comum, democratizando o acesso a serviços financeiros personalizados. Já o Drex, embora mais conservador, prepara o terreno para esse futuro — e pode ser o passo intermediário necessário para adaptar bancos, governos e a sociedade a essa nova realidade.
A disputa está lançada. E o Brasil pode se tornar um dos laboratórios mais influentes dessa revolução.
Fonte: IT Forum