Com um plano que pode chegar a R$ 1 bilhão, a aquisição de um clube brasileiro pelo dono do Manchester City e acionista da Ferrari marca o início de uma nova fase no futebol nacional. A chegada do Grupo City agita os bastidores e impõe um novo padrão de gestão e investimento no esporte.
O futebol brasileiro vive um momento de transformação. A entrada de grupos estrangeiros no mercado nacional vem se intensificando, e uma das movimentações mais impactantes aconteceu com a venda do Bahia. O clube foi adquirido por ninguém menos que Mansour bin Zayed al-Nahyan, dono do Manchester City e acionista da Ferrari. O investimento milionário promete sacudir a estrutura da modalidade no país.
Bahia agora faz parte de uma elite internacional
Em maio de 2023, o Esporte Clube Bahia deu um passo histórico ao vender 90% de sua SAF (Sociedade Anônima do Futebol) ao Grupo City. A negociação, aprovada pelos sócios, representou o início de uma nova era para o clube, com um investimento inicial de R$ 380 milhões e expectativa de atingir R$ 1 bilhão até 2025.
O Grupo City, conhecido por controlar uma rede global de clubes, traz ao Bahia uma plataforma de intercâmbio técnico e estrutural com instituições de quatro continentes. Isso inclui não apenas o envio de jogadores e treinadores, mas também o acesso a tecnologias de análise de desempenho e integração de categorias de base.
A movimentação já despertou atenção e preocupação em outros clubes brasileiros. John Textor, presidente do Botafogo, chegou a comentar que esse tipo de investimento pode desequilibrar o cenário competitivo do país.
O império esportivo do Grupo City

Criado como uma holding para comandar o Manchester City, o Grupo City rapidamente expandiu sua atuação. Hoje, possui ou mantém parcerias com clubes nos principais continentes:
- Europa: Manchester City (ING), Girona (ESP), Palermo (ITA), Troyes (FRA), Lommel SK (BEL)
- Américas: New York City (EUA), Montevideo City Torque (URU), Bolívar (BOL – parceiro)
- Ásia: Mumbai City FC (IND), Yokohama F. Marinos (JAP), Sichuan Jiuniu (CHN)
- Oceania: Melbourne City (AUS)
Essa estrutura global permite uma gestão padronizada, com intercâmbio de talentos e conhecimento técnico que agora se estende ao futebol brasileiro por meio do Bahia.
Quem é o homem por trás do investimento?
Mansour bin Zayed al-Nahyan é uma das figuras mais influentes do Oriente Médio. Nascido em Abu Dhabi em 1970, estudou nos Estados Unidos e construiu sua trajetória no setor público e esportivo. É vice-primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, presidente da Emirates Racing Authority e irmão do ex-presidente Khalifa bin Zayed.
Sua fortuna, estimada em R$ 126 bilhões, vem em grande parte da indústria do petróleo. No esporte, é mais conhecido por ter transformado o Manchester City em uma potência mundial, além de deter 5% da Ferrari, expandindo sua influência para além do futebol, alcançando também a Fórmula 1.
Um novo horizonte para o futebol brasileiro
A aquisição do Bahia pelo Grupo City simboliza um novo momento para o futebol nacional. A introdução de um modelo de gestão profissionalizado, com investimentos pesados e integração a uma rede global, pode representar tanto oportunidades quanto desafios para os clubes locais.
A longo prazo, o impacto dessa operação poderá ser observado não apenas dentro de campo, mas também na modernização da gestão esportiva no Brasil. O Bahia, agora parte de um ecossistema global, pode se tornar um modelo de sucesso para outros clubes que buscam novos caminhos no cenário atual.
[Fonte: Diário do Comércio]