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Tecnologia

Queda histórica na demanda global por petróleo: entenda como China e os carros elétricos influenciam esse recurso

Com recordes de vendas de veículos elétricos e investimentos em trens de alta velocidade, a China está transformando a dinâmica do mercado mundial de energia. Entenda como essa mudança inédita já impacta a procura global por petróleo e o que esperar para os próximos anos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A relação tradicional entre crescimento econômico e aumento da demanda por petróleo está começando a se romper — e o motor dessa transformação é a China. Com a explosão nas vendas de carros elétricos e um transporte ferroviário cada vez mais eficiente, o país está provocando efeitos inéditos no consumo global de combustíveis fósseis. Veja como essa mudança pode redesenhar o futuro do setor energético.

A mudança na dinâmica do petróleo global

Queda histórica na demanda global por petróleo: entenda como China e os carros elétricos influenciam esse recurso
© Pexels

Historicamente, o crescimento do PIB de um país indicava aumento proporcional no consumo de petróleo. Mais infraestrutura, mais viagens e mais veículos em circulação significavam refinarias operando a todo vapor. No entanto, essa correlação vem enfraquecendo nos últimos anos, e 2024 trouxe uma ruptura ainda mais evidente.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), o consumo de petróleo na China — maior motor de crescimento da demanda global nas últimas décadas — está desacelerando de forma inédita. Embora o crescimento da demanda global ainda exista, ele é muito mais tímido, e na China, em particular, o ritmo esfriou consideravelmente.

A expectativa da AIE para 2024 é de um crescimento de apenas 1,1% no consumo chinês, equivalente a 180 mil barris por dia, enquanto dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) apontam para números semelhantes.

O impacto das novas tecnologias e da desaceleração econômica

Diversos fatores explicam a desaceleração chinesa. A queda nos investimentos em infraestrutura e o esfriamento do setor de construção impactaram diretamente o transporte de cargas e o uso de diesel, como mostram dados recentes da Reuters que apontam quedas de até 13% em algumas refinarias.

Entretanto, a principal transformação vem do crescimento avassalador dos veículos de nova energia. Em 2024, mais da metade dos carros vendidos na China foram elétricos ou híbridos plug-in. Em outubro, o país registrou a venda de 1,43 milhão de veículos elétricos, superando o recorde de setembro e apresentando crescimento de 49,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

A AIE calcula que o avanço dos elétricos e o fortalecimento do transporte ferroviário de alta velocidade reduzirão a demanda global por petróleo em 400 mil barris por dia só em 2024.

A nova aposta da China no transporte sustentável

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Além dos carros elétricos, a aposta da China nos trens de alta velocidade é um componente-chave dessa transformação. O governo chinês vem investindo pesadamente em uma malha ferroviária moderna, conectando grandes regiões e reduzindo a necessidade de transporte rodoviário intensivo em petróleo.

Segundo o Global Times, a renovação da frota de trens — agora mais leves e eficientes — diminuiu os custos de manutenção em 15%. Em 2024, o número de passageiros transportados por trem de alta velocidade aumentou 6,2% em relação a 2023, atingindo 872 milhões de passageiros. A meta é ambiciosa: adicionar mais 15 mil quilômetros de novas linhas até o final da década.

Essa infraestrutura não apenas promove uma mobilidade mais sustentável como também consolida uma mudança de mentalidade no país sobre a dependência de combustíveis fósseis.

O futuro da demanda por petróleo

As perspectivas para 2025 indicam que, mesmo com algum crescimento econômico previsto para a China (em torno de 4%), o consumo de petróleo pode continuar estagnado, especialmente no setor de transportes. O crescimento futuro da demanda energética chinesa deverá vir principalmente da indústria petroquímica, segundo a EIA, enquanto a influência do transporte rodoviário tradicional continuará diminuindo.

Com a expansão contínua dos veículos elétricos e o fortalecimento dos sistemas ferroviários, a tendência é de que a histórica correlação entre PIB e petróleo se fragmente ainda mais, redesenhando o cenário energético global.

[Fonte: Terra]

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