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Ciência

Dores de cabeça, náuseas e dormência podem esconder um tumor cerebral: avanço inédito amplia opções contra um dos gliomas mais comuns

Dor de cabeça persistente, náuseas, convulsões e dormência nos membros costumam ter diversas causas, mas em alguns casos podem indicar um glioma, um tipo de tumor cerebral. Agora, um novo tratamento aprovado no Brasil promete retardar a progressão da doença e representa o maior avanço terapêutico em mais de duas décadas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A dor de cabeça aparece entre as queixas mais frequentes nos consultórios médicos e, na maioria das vezes, está relacionada a problemas benignos. No entanto, quando vem acompanhada de sintomas como náuseas, vômitos, convulsões, dificuldade para falar ou perda de sensibilidade em partes do corpo, ela pode indicar uma condição muito mais séria: um glioma. Esse tipo de tumor cerebral acaba de ganhar uma nova opção de tratamento no Brasil, trazendo esperança para pacientes que convivem com a doença por muitos anos.

O que é um glioma e por que ele pode ser perigoso

Os gliomas surgem a partir das células gliais, responsáveis por dar suporte e proteção aos neurônios. Quando essas células passam a crescer de forma descontrolada, formam uma massa que pode comprimir regiões do cérebro ou da medula espinhal, provocando sintomas que variam conforme a localização e o tamanho do tumor.

Existem diversos tipos de glioma. Alguns apresentam crescimento acelerado e comportamento bastante agressivo, enquanto outros evoluem lentamente ao longo dos anos. Mesmo os de baixo grau, considerados menos agressivos, podem infiltrar o tecido cerebral saudável e, com o tempo, sofrer transformações que aumentam sua malignidade.

A genética mudou a forma de tratar a doença

Doenças Raras
© FotoRichter – Pixabay

Segundo especialistas, compreender o perfil genético do tumor tornou-se uma etapa essencial para definir o tratamento mais adequado. Um dos principais marcadores é a mutação nas enzimas IDH1 e IDH2, encontrada principalmente em gliomas difusos de baixo grau em adultos.

De acordo com a pesquisadora Marianela Candolfi, do Instituto de Investigações Biomédicas (INBIOMED), vinculado ao CONICET e à Universidade de Buenos Aires, aproximadamente 1.800 adultos recebem diagnóstico de glioma por ano na Argentina. A maior parte corresponde aos tumores de alto grau, mas cerca de 10% apresenta a mutação em IDH, geralmente em pacientes com menos de 40 anos.

Esses tumores costumam evoluir lentamente. Após a cirurgia, aproximadamente 80% dos pacientes permanecem vivos por mais de dez anos. Ainda assim, é comum que a doença retorne ao longo desse período, exigindo novos tratamentos.

Novo medicamento promete aumentar o tempo sem progressão

Depois de cerca de 25 anos sem avanços significativos para esse grupo de pacientes, a aprovação de um novo medicamento representa uma mudança importante no tratamento.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o vorasidenibe, um comprimido diário indicado para adultos e adolescentes com mais de 12 anos submetidos à cirurgia para glioma difuso de baixo grau com mutação em IDH.

O medicamento atua bloqueando as enzimas alteradas responsáveis pela produção de substâncias que favorecem o crescimento das células tumorais.

A aprovação foi baseada nos resultados do estudo clínico INDIGO, que também embasou a autorização do tratamento pela agência reguladora dos Estados Unidos. Os dados mostraram redução de 61% no risco de progressão da doença, além de retardar o crescimento do tumor e diminuir seu volume.

Entre os participantes do estudo, a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 27,7 meses para quem recebeu o vorasidenibe, contra 11,1 meses entre os pacientes tratados com placebo.

Os sintomas podem variar bastante

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© Pexels

Segundo o oncologista Elías Ortega Chahla, da Unidade de Neuro-Oncologia do Instituto Ángel H. Roffo, o tratamento continua começando pela cirurgia, sempre com o objetivo de retirar a maior quantidade possível do tumor sem comprometer áreas importantes do cérebro.

Os sintomas dependem diretamente da região afetada. Além das dores de cabeça persistentes, podem surgir convulsões, dificuldade para falar, perda de força, dormência nos dedos, nas pernas ou em um lado da face, além de náuseas e vômitos.

O diagnóstico costuma ser feito por meio de ressonância magnética. Depois disso, exames moleculares identificam o perfil genético do tumor, permitindo classificá-lo com maior precisão e definir a estratégia terapêutica mais indicada.

Crianças e adultos apresentam diferenças importantes

Embora crianças também possam desenvolver gliomas, a doença apresenta características diferentes nessa faixa etária. Segundo Candolfi, as alterações genéticas costumam ser distintas das observadas em adultos, o que faz com que os tumores tenham comportamentos diferentes.

Nos pacientes pediátricos, muitos gliomas surgem na região central do cérebro, onde há pouco espaço para expansão e maior risco de atingir estruturas vitais. Por outro lado, em diversos casos, a cirurgia é suficiente para controlar a doença, sem necessidade de radioterapia ou quimioterapia.

Já para adolescentes acima de 12 anos e adultos com glioma difuso de baixo grau portadores da mutação em IDH, a chegada do vorasidenibe inaugura uma nova etapa no tratamento. A expectativa dos especialistas é prolongar o período de remissão da doença, reduzir a necessidade de intervenções precoces e oferecer mais qualidade de vida aos pacientes.

 

[ Fonte: Clarín ]

 

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