Dubai deu mais um passo decisivo na transformação de sua matriz energética com a expansão do Parque Solar Mohammed bin Rashid Al Maktoum, localizado no deserto de Seih Al Dahal. O empreendimento é peça central da estratégia que prevê gerar 75% da eletricidade do emirado a partir de fontes limpas até 2050.
Desde a primeira fase, em 2013, o projeto evoluiu para se tornar um dos maiores complexos solares do planeta, com capacidade projetada de 5.000 megawatts (MW) até 2030 — suficiente para abastecer centenas de milhares de residências e reduzir mais de 6,5 milhões de toneladas de CO₂ por ano.
Crescimento fase a fase

Cada etapa foi planejada para ampliar a capacidade de geração e reduzir emissões:
- Fase 1 (13 MW): inaugurada em 2013, reduziu cerca de 15 mil toneladas de carbono por ano.
- Fase 2 (200 MW): desde 2017, abastece cerca de 50 mil residências e evita 214 mil toneladas anuais de CO₂.
- Fase 3 (800 MW): incorporou sistemas de rastreamento solar, aumentando a eficiência em até 30% e fornecendo energia limpa para mais de 240 mil lares.
- Fase 4 (950 MW): combina energia solar concentrada (CSP) e fotovoltaica, com armazenamento térmico capaz de garantir até 15 horas de geração contínua — beneficiando cerca de 320 mil residências e evitando 1,6 milhão de toneladas de carbono ao ano.
O projeto é conduzido pela Dubai Electricity and Water Authority (DEWA), estatal responsável por eletricidade e água no emirado.
Tecnologia de ponta no deserto
O parque não se destaca apenas pelo tamanho. Ele reúne tecnologias híbridas avançadas, incluindo coletores parabólicos e torres solares de até 262 metros de altura — uma das maiores estruturas do tipo no mundo.
A combinação entre painéis fotovoltaicos e energia termosolar com armazenamento térmico permite geração mesmo após o pôr do sol, um diferencial crucial para estabilidade da rede elétrica.
Outro marco é o custo competitivo. A DEWA alcançou um dos menores custos nivelados de energia solar já registrados globalmente, reforçando o potencial da energia renovável como alternativa economicamente viável aos combustíveis fósseis.
Muito além da eletricidade
O complexo também abriga um Centro de Inovação e Pesquisa da DEWA, onde são testadas novas tecnologias solares adaptadas às condições extremas do deserto — incluindo estudos sobre impacto da poeira, degradação de painéis e eficiência térmica.
Além disso, há uma planta piloto de dessalinização movida a energia solar, ampliando o impacto do projeto para além da geração elétrica e fortalecendo a segurança hídrica da região.
Um marco para o Oriente Médio
Com investimento estimado em cerca de 16 bilhões de dirhams (aproximadamente US$ 4,4 bilhões), o parque demonstra como países tradicionalmente associados ao petróleo estão diversificando suas matrizes energéticas.
Em um cenário global de transição energética, o projeto consolida Dubai como polo de inovação em energia limpa e sustentabilidade.
Se atingir os 5.000 MW previstos, o complexo não apenas cobrirá um vasto trecho do deserto — como ajudará a redefinir o papel do Oriente Médio na nova economia de baixo carbono.
[ Fonte: El Cronista ]