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Ciência

Einstein Probe detecta explosão misteriosa de Raios-X no Universo Primordial

Uma descoberta intrigante pode mudar o que sabemos sobre as explosões cósmicas e a origem dos raios gama.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um novo telescópio espacial detectou um enigmático surto de raios-X de baixa energia vindos das profundezas do universo primitivo. O evento durou mais de 17 minutos antes de desaparecer, desafiando as teorias atuais sobre a formação de explosões cósmicas. A descoberta pode obrigar os astrônomos a repensarem a origem dos surtos de raios gama.

A descoberta surpreendente do Einstein Probe

Em 15 de março de 2024, o recém-lançado telescópio Einstein Probe registrou uma explosão de raios-X suaves (de baixa energia) vinda de uma região distante do universo. O evento, nomeado EP240315a, manteve seu brilho por um período atipicamente longo antes de se dissipar. Cerca de uma hora depois, telescópios terrestres detectaram luz visível na mesma localização, rastreando a explosão até cerca de 1,38 bilhão de anos após o Big Bang.

Essa detecção inédita reforça o potencial do Einstein Probe para identificar fenômenos astronômicos antes desconhecidos. Equipado com um telescópio de amplo campo de visão, o observatório tem sido essencial para estudar explosões de raios-X transitórias rápidas (fast X-ray transients ou FXRTs), eventos raros e pouco compreendidos.

Ligação com explosões de Raios Gama

Os astrônomos monitoraram o evento EP240315a por três meses, utilizando ondas de rádio para medir sua energia. Os dados indicaram que a explosão se originou de um surto de raios gama (gamma-ray burst ou GRB), especificamente o GRB 240315C, detectado pelo telescópio Swift da NASA e pelo instrumento Konus a bordo da espaçonave Wind.

Os surtos de raios gama são as explosões mais energéticas do universo, geralmente causadas pelo colapso de estrelas massivas ou pela fusão de estrelas de nêutrons. Essas explosões emitem grandes quantidades de raios-X. No entanto, EP240315a apresenta um comportamento incomum: seus raios-X apareceram 372 segundos antes do GRB 240315C, um atraso nunca antes observado.

Um mistério que desafia a ciência

Os cientistas acreditam que esse atraso e a longa duração dos raios-X podem indicar um novo mecanismo de explosão cósmica ainda desconhecido. “Esses resultados mostram que uma fração significativa dos FXRTs pode estar associada a GRBs e que monitores de raios-X sensíveis, como o Einstein Probe, podem identificá-los no universo distante”, explicou Roberto Ricci, pesquisador da Universidade de Roma Tor Vergata.

O comportamento de EP240315a pode forçar os astrônomos a reavaliar os modelos que explicam as explosões de raios gama. Tradicionalmente, os GRBs são associados a surtos de raios-X que ocorrem segundos antes das explosões de raios gama, mas a diferença temporal observada em EP240315a sugere que outros fatores podem estar em jogo.

O Einstein Probe e o futuro da astronomia

O Einstein Probe foi lançado em 9 de janeiro de 2024 e é gerenciado pela Academia Chinesa de Ciências em colaboração com a Agência Espacial Europeia (ESA) e o Instituto Max Planck de Física Extraterrestre. O telescópio possui um sistema inovador de captação de raios-X em larga escala, capaz de cobrir 3.600 graus quadrados do céu de uma só vez, permitindo a detecção rápida de eventos cósmicos inesperados.

“As primeiras observações do Einstein Probe já estão revelando fenômenos interessantes”, afirmou Erik Kuulkers, cientista do projeto na ESA. “Isso é um ótimo sinal e indica que muitas descobertas fascinantes ainda estão por vir.”

A detecção de EP240315a demonstra o enorme potencial do Einstein Probe para ampliar nossa compreensão do universo primordial. À medida que novos dados forem analisados, os astrônomos poderão responder a questões fundamentais sobre a evolução das primeiras estruturas cósmicas e a origem das explosões de raios gama.

Fonte: Gizmodo US

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