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Ciência

Ele tem 118 anos e é brasileiro: o mineiro que surpreende pela vitalidade

Um morador do sul de Minas acaba de entrar para o RankBrasil e chama atenção não só pela idade impressionante, mas também por um detalhe que intriga quem convive com ele.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Histórias de longevidade sempre despertam curiosidade, mas algumas conseguem ir além dos números. No interior de Minas Gerais, um senhor discreto virou assunto nacional após ter sua idade oficialmente confirmada. O caso chama atenção não apenas pelo recorde, mas pela vitalidade incomum que continua impressionando cuidadores e visitantes — e que levanta a pergunta inevitável: qual é o segredo?

Reconhecimento oficial após verificação rigorosa

O RankBrasil, conhecido como o Livro dos Recordes Brasileiros, reconheceu oficialmente Luís Carlos dos Santos, o seu Luizinho, como o homem mais velho do Brasil. Morador de Elói Mendes (MG), ele completou 118 anos em 15 de fevereiro.

A confirmação não veio de forma automática. O processo envolveu uma checagem detalhada de documentos históricos e registros em cartório para validar a data de nascimento. Segundo a instituição, a investigação foi iniciada após uma publicação nas redes sociais chamar atenção para a idade do mineiro.

A equipe do Lar São Vicente de Paulo, onde ele vive, reuniu a documentação necessária. O diretor jurídico da entidade, Luciano Ferreira Lopes, explicou que foi preciso consultar livros antigos do cartório de registro de pessoas naturais para confirmar a autenticidade das informações.

Hoje, o RankBrasil mantém a marca como recorde nacional. No cenário global, o Guinness World Records aponta atualmente uma mulher britânica de 116 anos como a pessoa mais velha viva do mundo, enquanto o homem mais longevo reconhecido internacionalmente também é brasileiro, com 113 anos.

Uma vida simples e discreta

Apesar do feito extraordinário, seu Luizinho leva uma rotina tranquila. Ele vive no Lar São Vicente de Paulo desde 1971 e é o residente mais antigo da instituição.

Segundo os cuidadores, o idoso perdeu a fala ao longo dos anos, mas mantém plena compreensão do que acontece ao redor. A comunicação acontece principalmente por gestos e movimentos de cabeça.

Relatos de moradores e funcionários mostram que sua trajetória sempre foi marcada pela simplicidade. Criado com apoio da comunidade, ele trabalhou como lavrador durante parte da vida, especialmente na região de Três Pontas (MG).

O cuidador José Edmilson Ozelani descreve o comportamento do idoso como calmo e independente. Segundo ele, seu Luizinho prefere realizar pequenas tarefas sozinho e não costuma exigir atenção constante.

Um hábito curioso também chama atenção dentro do lar. O cuidador conta que o morador gosta de equilibrar objetos nas beiradas da cama e em outras superfícies.

“É o mundinho dele”, resumiu.

Vitalidade que intriga até os cuidadores

Se a idade impressiona, a saúde do mineiro surpreende ainda mais. De acordo com a gerente do lar, Maria Caroline de Sousa Vitoriano, não há registros recentes de doenças relevantes.

Ela afirma que seu Luizinho não faz uso de medicamentos contínuos — apenas vitaminas diárias — e que atravessou inclusive o período da pandemia de Covid-19 sem complicações.

A equipe descreve o idoso como alguém que “esbanja saúde”, considerando sua idade extremamente avançada. Para quem convive diariamente com ele, o reconhecimento nacional apenas formalizou algo que já era percebido no cotidiano.

Além da vitalidade física, o carisma silencioso do morador também conquistou espaço entre funcionários e visitantes. Segundo a gerente, novos colaboradores costumam ser apresentados a ele logo nos primeiros dias.

“Ele é um privilégio. É o nosso mascote”, afirmou.

Um século de história atravessado em silêncio

Nascido em 1908, seu Luizinho atravessou mais de um século de transformações profundas no Brasil e no mundo. O ano de seu nascimento coincidiu, por exemplo, com a morte de Machado de Assis, o nascimento do sambista Cartola e a fundação do Clube Atlético Mineiro.

Para a equipe do Lar São Vicente, a marca de 118 anos representa mais do que um número. É também um símbolo de cuidado contínuo e de uma trajetória marcada pela resistência.

O diretor jurídico Luciano Lopes acredita que a história ainda não terminou. Em tom bem-humorado, ele resume a expectativa da equipe:

“Tomando muito café, comendo bolachinhas, no tempo dele, devagarzinho… pelo jeito, seu Luizinho ainda vai nos dar muitas alegrias.”

[Fonte: G1]

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