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Ciência

Espanha e Portugal anunciam constelação de 16 satélites para monitorar desastres naturais quase em tempo real

Depois de enchentes devastadoras e tempestades históricas na Península Ibérica, Espanha e Portugal decidiram agir juntas. Os dois países vão lançar uma constelação de 16 satélites capaz de gerar imagens a cada poucas horas — um salto tecnológico que pode transformar a resposta a catástrofes naturais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Nos últimos anos, a Península Ibérica enfrentou eventos extremos que deixaram marcas profundas. Tempestades intensas no início de 2026, visíveis até do espaço, e a DANA que atingiu a região de Valência são exemplos de como fenômenos climáticos severos podem evoluir rapidamente e exigir respostas quase imediatas.

Hoje, a principal referência europeia para monitoramento ambiental e gestão de emergências é o programa Copernicus, da Agência Espacial Europeia (ESA), com os satélites Sentinel gerando imagens da região a cada dois ou três dias. Agora, Espanha e Portugal querem reduzir drasticamente esse intervalo.

O que é a Constelação Atlântica

Batizada de Constelação Atlântica, a iniciativa prevê o lançamento de 16 pequenos satélites — oito espanhóis e oito portugueses — que orbitarão a menos de 700 quilômetros da Terra.

Trabalhando de forma coordenada, eles serão capazes de produzir imagens atualizadas da Península Ibérica a cada duas ou três horas. Não se trata de substituir os satélites Sentinel do Copernicus, mas de complementá-los com dados muito mais frequentes, aproximando o monitoramento de um regime quase em tempo real.

Na prática, isso significa acompanhar a progressão de enchentes, incêndios florestais, temporais marítimos e outros desastres com muito mais agilidade.

Por que isso muda o jogo

Em situações críticas, o tempo é um fator decisivo. Ter imagens novas a cada dois ou três dias pode ser insuficiente quando rios transbordam em questão de horas ou quando um incêndio se espalha rapidamente com ventos fortes.

Com atualizações a cada poucas horas, autoridades poderão dimensionar melhor os danos, planejar evacuações, mobilizar equipes de emergência e definir estratégias de contenção com base em dados mais recentes.

Além da gestão de catástrofes, o projeto também fortalece a autonomia estratégica dos dois países no setor espacial. Segundo Nicolás Martín, diretor de Usuários, Serviços e Aplicações da Agência Espacial Espanhola, trata-se de uma iniciativa relevante tanto para a indústria aeroespacial quanto para a soberania tecnológica.

A constelação também poderá atender setores como agricultura, monitoramento costeiro e gestão de recursos naturais.

Como os satélites vão funcionar

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© https://x.com/DimaZeniuk

Cada satélite contará com quatro instrumentos principais. O primeiro é uma câmera óptica multiespectral de alta resolução, capaz de analisar vegetação, uso do solo e alterações no terreno.

O segundo é um sensor de reflectometria GNSS, tecnologia que utiliza sinais de navegação por satélite refletidos na superfície terrestre para medir, por exemplo, a umidade do solo ou o estado do mar — dados cruciais para prever enchentes e monitorar condições marítimas.

Também haverá conectividade IoT (Internet das Coisas), permitindo coletar dados de sensores em solo, e um sistema dedicado à identificação e rastreamento de embarcações, ampliando o controle sobre áreas costeiras.

Quem está por trás do projeto

Na Espanha, a empresa catalã Open Cosmos foi selecionada por meio de licitação pública para projetar e fabricar os oito satélites do país. O Instituto de Ciências do Espaço (ICE-CSIC) será responsável por desenvolver uma das quatro cargas úteis embarcadas e os algoritmos para extrair dados geofísicos.

Do lado português, a liderança do projeto ficará com a GeoSat. A supervisão geral será feita pela Agência Espacial Europeia (ESA), garantindo integração técnica e alinhamento com os padrões europeus.

O cronograma

O primeiro satélite de demonstração, chamado Pathfinder, deve ficar pronto até o final deste ano. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2027.

Essa unidade inicial servirá para validar as tecnologias embarcadas e os sistemas de processamento de dados antes da fabricação do restante da frota. O desdobramento completo da constelação ocorrerá gradualmente nos anos seguintes.

Se tudo correr como planejado, Espanha e Portugal poderão contar, em breve, com um sistema próprio de vigilância espacial capaz de transformar a forma como desastres naturais são monitorados — e, potencialmente, salvar vidas ao antecipar respostas em momentos críticos.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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