Para provocar medo, um filme não precisa de duas horas de duração, grandes estrelas ou efeitos especiais milionários. Uma produção lançada durante a pandemia conseguiu transformar uma situação cotidiana em um pesadelo, deixando espectadores com os batimentos cardíacos acelerados. O mais curioso é que essa reação foi registrada em um experimento que tentou responder a uma pergunta antiga: afinal, qual é o filme mais assustador de todos os tempos?
O filme de 56 minutos que conquistou os fãs de terror

Lançado em 2020, Host, conhecido no Brasil como Cuidado com Quem Chama, é um filme britânico de terror dirigido por Rob Savage. Com apenas 56 minutos de duração, a produção conseguiu chamar atenção internacional utilizando uma proposta aparentemente simples: transformar uma videoconferência em cenário de uma experiência sobrenatural.
A história acompanha seis amigos que decidem participar de uma sessão espírita virtual durante o isolamento provocado pela pandemia de Covid-19. O encontro começa como uma atividade para aliviar o tédio, mas rapidamente se transforma em algo muito mais perigoso.
Quando uma das participantes desrespeita as orientações da médium responsável pela sessão, acontecimentos inexplicáveis começam a surgir nas casas dos envolvidos.
O espectador acompanha tudo pelas telas dos computadores, como se também estivesse participando da chamada.
A proposta aproveita recursos conhecidos de quem utiliza plataformas de videoconferência: câmeras que travam, conexões instáveis, microfones desligados e movimentos inesperados ao fundo das imagens.
O resultado é uma experiência que aproxima o terror da rotina digital, criando a sensação de que acontecimentos semelhantes poderiam surgir durante uma chamada comum.
Como a ciência mediu o medo provocado pelo filme

O reconhecimento de Host ganhou força graças ao projeto britânico Science of Scare, que desde 2020 investiga as reações fisiológicas de espectadores diante de produções de terror.
O experimento utiliza monitores cardíacos para registrar mudanças na frequência dos batimentos durante as sessões.
Nas edições de 2021 e 2022, Host conquistou a primeira posição do levantamento, superando títulos famosos do gênero.
Durante sua exibição, os participantes apresentaram frequência cardíaca média de 88 batimentos por minuto, com picos próximos de 130 em momentos particularmente intensos.
Entretanto, a classificação mudou com a evolução da metodologia.
Na edição de 2026 do Science of Scare, Host aparece na segunda posição, com 95 pontos em uma escala de 100, atrás de A Entidade (Sinister), de 2012, que alcançou 96 pontos.
Mesmo assim, o filme de Rob Savage continua apresentando a maior frequência cardíaca média entre os títulos avaliados.
A metodologia atual considera três indicadores: aumento médio dos batimentos, maior pico cardíaco e redução da variabilidade da frequência cardíaca, associada à resposta fisiológica ao estresse.
É importante destacar que o experimento não estabelece uma verdade científica universal. A seleção contempla filmes em inglês, e as reações podem variar conforme experiências pessoais, familiaridade com o gênero e sensibilidade individual.
Uma brincadeira durante a pandemia deu origem ao pesadelo
A origem de Host é quase tão curiosa quanto sua história. Durante o confinamento de 2020, Rob Savage decidiu assustar alguns amigos em uma chamada pelo Zoom.
O diretor fingiu investigar ruídos misteriosos em seu sótão e utilizou um trecho do filme espanhol REC para simular um ataque sobrenatural. As reações foram registradas e o vídeo viralizou nas redes sociais.
A repercussão chamou a atenção da plataforma especializada em terror Shudder, que apoiou a transformação da ideia em um longa-metragem.
Segundo uma entrevista concedida ao British Film Institute, a produção enfrentou desafios incomuns. Como ninguém podia se reunir presencialmente, os atores precisaram cuidar das próprias câmeras, iluminação e parte dos efeitos especiais.
Savage dirigia as cenas remotamente, enquanto a equipe encontrava soluções criativas para simular manifestações sobrenaturais dentro das residências.
O filme foi desenvolvido, produzido e lançado em menos de três meses, estreando em julho de 2020.
Por que uma produção tão curta consegue assustar tanto?
Um dos segredos de Host está na maneira como utiliza o tempo. Com menos de uma hora de duração, o roteiro praticamente elimina momentos desnecessários e mantém a tensão crescente.
A produção também explora uma técnica conhecida como found footage, na qual as imagens parecem registros autênticos de acontecimentos reais.
Esse recurso já havia sido utilizado em filmes como A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal, mas ganhou uma dimensão diferente com a familiaridade das videoconferências durante a pandemia.
A recepção crítica reforçou o sucesso da experiência. No Rotten Tomatoes, Host alcançou 98% de avaliações positivas entre os críticos, consolidando sua reputação como uma das produções de terror mais inventivas daquele período.
Para o Halloween de 2026, o longa continua sendo uma alternativa interessante para quem procura uma experiência intensa sem precisar dedicar uma noite inteira a um filme.
Embora a ciência não consiga determinar definitivamente qual história provoca mais medo em cada pessoa, os resultados do experimento mostram que Host continua excepcionalmente eficiente em acelerar os batimentos cardíacos.
E talvez esse seja seu maior mérito: transformar uma simples tela de computador em um lugar onde o espectador começa a desconfiar até do que acontece atrás de si.