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Ciência

Estudo aponta evidência mais forte até agora de que o vape pode causar câncer — e acende alerta global sobre os riscos

Uma nova revisão científica analisou anos de pesquisas e concluiu que o uso de cigarros eletrônicos provavelmente está ligado ao câncer de pulmão e de boca. Embora ainda faltem estudos de longo prazo, os sinais biológicos já preocupam especialistas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, o cigarro tradicional foi associado a doenças graves — mas essa relação levou quase um século para ser comprovada de forma definitiva. Agora, os cigarros eletrônicos seguem um caminho semelhante. Uma nova análise científica amplia o alerta: mesmo sem estudos de longo prazo, já existem evidências consistentes de que o vape pode causar danos que levam ao câncer.

O que diz a nova revisão científica

Uso Regular De Vape (2)
© Md Ahad Hasan – Pexels

O estudo reuniu pesquisas revisadas por pares publicadas entre 2017 e meados de 2025. Como ainda não há dados suficientes sobre casos reais de câncer em usuários de vape ao longo de décadas, os cientistas focaram em sinais biológicos conhecidos por estarem ligados ao desenvolvimento da doença.

A conclusão foi direta: os cigarros eletrônicos provavelmente estão associados ao câncer de pulmão e de cavidade oral.

O que existe dentro do vapor

Embora muitas vezes sejam vistos como uma alternativa mais “leve”, os vapes liberam um aerossol complexo, que vai muito além da nicotina.

Esse vapor pode conter:

  • Subprodutos da nicotina
  • Compostos orgânicos potencialmente tóxicos
  • Metais vaporizados vindos do sistema de aquecimento

Segundo a revisão, esse conjunto apresenta praticamente todas as características que a Organização Mundial da Saúde associa a substâncias cancerígenas.

Evidências no corpo humano

Os pesquisadores analisaram exames de sangue e urina de usuários de vape e encontraram substâncias ligadas ao câncer circulando no organismo.

Além disso, foram observadas alterações diretas nos tecidos da boca e dos pulmões, incluindo:

  • Mutações no DNA
  • Inflamação persistente
  • Estresse oxidativo

Esses fatores são considerados etapas iniciais no desenvolvimento de tumores.

Resultados em animais e observações clínicas

A revisão também incluiu estudos em animais, nos quais a exposição ao vapor levou ao desenvolvimento de câncer de pulmão em camundongos.

Em paralelo, relatos clínicos — como os de dentistas — apontaram casos suspeitos de câncer oral em pacientes que utilizavam vape, mas não fumavam cigarro tradicional.

Embora esses dados não sejam definitivos isoladamente, eles reforçam o padrão observado.

Mudança no consenso científico

Um dos pontos mais relevantes é a mudança na postura da comunidade científica.

Entre 2017 e 2019, a maioria dos estudos afirmava que não havia evidências suficientes para associar o vape ao câncer.

Já entre 2024 e 2025, o cenário mudou. Praticamente todos os trabalhos analisados passaram a expressar preocupação e questionar a ideia de que o vape seria significativamente mais seguro que o cigarro convencional.

O que ainda não sabemos

Apesar dos sinais fortes, ainda não existe prova direta de que o vape esteja aumentando o número de casos de câncer na população.

Isso exige estudos de longo prazo — algo que pode levar décadas, como aconteceu com o cigarro tradicional.

Outro desafio é encontrar grupos de pessoas que usam apenas vape, sem histórico de tabagismo, para isolar os efeitos da substância.

Por que isso importa agora

Mesmo sem respostas definitivas, os dados atuais já são suficientes para levantar um alerta.

Os efeitos biológicos observados indicam que o vape não é inofensivo — e pode estar iniciando processos que levam ao câncer.

Para os pesquisadores, o mais urgente agora é investir em estudos de longo prazo e monitoramento contínuo dos usuários.

Um risco que pode estar apenas começando

Uso Regular De Vape
© Saqi Jugno – Pexels

A história do cigarro mostra que os danos podem levar décadas para se manifestar completamente.

Com o vape, ainda estamos nos primeiros capítulos.

A diferença é que, desta vez, a ciência já tem sinais precoces suficientes para agir antes que os efeitos se tornem uma crise de saúde pública ainda maior.

 

[ Fonte: The Conversation ]

 

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